09 Junho, 2009

Recomendo – parte 19

• Chocolate Gran Mousse, da marca Sorini. Hum...

• Cream oil shower. Sabonete em creme da Dove.

• “Casual Dinner” no Spaguete Lilás (Salvador Shopping). Boa pedida depois de um cineminha. Sai hot roll, temaki, sushi...

• Ter no guarda-roupa as peças básicas. Um dia, com certeza, você vai sentir falta delas.

• Brownie do restaurante chinês Aogobom (ao lado da Companhia da Pizza, no Rio Vermelho).

• Acreditar que você pode sempre mais do que pensa. E acreditar que há horas em que o comando das coisas não depende mais de você, mas da energia que te circunda.

• Óleos trifásicos da Natura. Perfeitos...

• Economia de água! As pessoas ainda não se tocaram dos problemas que a falta dela vai trazer!!! Nada de ficar com o chuveiro ligado enquanto passa shampoo, ou com a torneira aberta enquanto escova os dentes. Evite vazamentos nas pias, no vaso sanitário.

• Pizza de frango com catupiry do Pátio Itália (Companhia da Pizza do Iguatemi). Além da comida ser boa, o ambiente é ótimo e você até esquece que está dentro do shopping.

• Mudar os móveis de lugar. Você fica até com a impressão de que comprou peças novas.

31 Maio, 2009

Gratuidade de estacionamento para consumidores

(matéria que escrevi para o jornal da Metrópole - 29 de maio de 2009)


A abertura de quaisquer estabelecimentos de grande porte que visem o lucro pressupõe a disponibilidade de infraestrutura mínima para receber clientes/consumidores. Condições sanitárias adequadas, de segurança e estacionamento são alguns dos requisitos que devem ser cumpridos por shoppings, por exemplo, para o desempenho regular das suas atividades e, inclusive, para liberação de alvará de funcionamento.

“Cobrar dos freqüentadores o uso das vagas em centros comerciais seria o mesmo que cobrar pelo ar condicionado ou sanitários de que usufruem durante as compras ou lazer”, pontua o doutor em direito tributário André Portela, com base nas premissas do direito administrativo. Ele destaca, ainda, que os estacionamentos gratuitos são um dever desses empreendimentos na medida em que facilitam o acesso e a acomodação das pessoas, evitando transtornos ao meio ambiente.

A cobrança de estacionamento nos estabelecimentos comerciais pode ser justificada quando são oferecidos serviços adicionais e específicos, como o de manobrista. Para tanto, conforme a legislação, é necessário que o empreendimento possua o Termo de Viabilidade de Localização (TVL, o pré-licenciamento para abertura de empresas) e alvará de funcionamento permitindo esse tipo de operação, ou seja, somente com autorização expressa da Prefeitura Municipal de Salvador.

Além disso, o serviço de manobrista só deve ser implantado se existirem vagas excedentes à quantidade mínima exigida no licenciamento da empresa. Dessa forma, o consumidor fica à vontade para decidir pela gratuidade ou por um atendimento diferenciado. O estacionamento pago deve ser demarcado e sinalizado.

A questão dos estacionamentos em shoppings também é regulada pela Lei de Ordenamento do Uso e Ocupação do Solo do Município (LOUOS), Lei 3.853/88. Ela obriga o oferecimento de uma vaga para cada 18 metros quadrados de área útil.



Ingrid Dragone

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Só para complementar: acho mesmo um absurdo a cobrança por estacionamento em shoppings, afinal, tudo que se consome nesses centros comerciais é caríssimo e direta ou indiretamente os custos das operações acabam sendo repassados para o consumidor. Qual a vantagem de comprar nos shoppings? Não estar sob o sol, ter, pelos menos teoricamente, mais segurança e ter vagas cobertas e próximas para estacionar. O valor disso já está embutido no valor dos serviços e mercadorias, sempre mais caros (ou bem mais caros) que os oferecidos pelas lojas de rua.

17 Maio, 2009

Considerações sobre o vestir

Às vezes não acredito que existem pessoas que vivem a vida pensando na roupa que vão vestir na próxima festa, evento ou passeio. Pode ser legal planejar trajes para as mais diversas ocasiões, desde que fazer isso não se torne uma obsessão. É brega passar boa parte do tempo com a preocupação de mostrar o que se tem. Quem faz questão de querer mostrar é porque, na verdade, nada tem ou pouco tem, de material ou espiritual. É alguém que encontra no “figurino” uma maneira de remediar o vazio e a inveja que lhe cabe ou o complexo que lhe atormenta.

Não sei por qual razão as pessoas insistem na futilidade, na ideia de achar que “devem” usar tudo o que está nas vitrines, o que as outras pessoas vão considerar fashion, o que elas vão imaginar que seja caro ou constatar que é de marca. A moda das revistas, televisão e passarelas está disponível a todos, da loja mais cara às lojas populares das ruas; só não tem quem não quer.

Fazer compras e adquirir artigos de boa qualidade é muito interessante, mexe com a autoestima, mas ter mais assuntos para com os quais ocupar a mente é fundamental. Defendo a importância da gente se sentir bem vestido. Contudo, o que nos veste deve refletir o nosso estado de espírito, e não uma necessidade ridícula de exibir o que podemos comprar ou de externar o quão estamos antenados com o que a indústria da moda nos impõe, num jogo cruel de aceitação social condicionada à aparência.

Ser elegante é ter estilo próprio, é vestir a calça jeans predileta, mesmo a mais surrada, quando o desejo é o de estar à vontade. Moderno é ser diferente e usar o que as outras pessoas não se arriscam a usar porque não é o que todo mundo está usando. Chique é ter conteúdo, ter o que dizer e, principalmente, ter opinião e vontade própria.

Não se deve dizer para as pessoas como as coisas devem ser quando se trata do que está sobre o corpo delas. Cada um sabe de si. Da sua personalidade, do que pretende transmitir, do que gosta e sente, do que faz jus ao seu bolso, do que lhe cai bem, do que ninguém mais sabe.



Ingrid Dragone

10 Maio, 2009

Fenômenos de fúria




Fato:Dilúvio em Salvador.Constatação:não adiantar a gente se queixar da falta de estrutura da cidade, pois além de bueiros entupidos e insuficientes, e de uma “formatação” deficitária de vias há muitos e muitos anos instalada, é preciso reconhecer a nossa culpa nessa história toda: a natureza está respondendo à altura da agressão humana. Ao feitio de entidades poderosíssimas,ela vem externando o seu desafeto, a cada dia, cansada de dar a outra face para o homem bater.

Em apenas um dia choveu em Salvador um terço do que choveria em um mês inteiro. E fenômenos de fúria, assim, sem precedentes, são reverberados em todo o mundo. As chuvas castigam, arrancam, levam, desabitam, fazem sofrer. Os mares revoltos ensejam inacreditáveis ondas novas aos olhos já acostumados às suas águas, provocando o medo, a fuga, a morte, a vontade de morrer.

Alguns falam sobre o fim dos tempos, baseados em profecias, nas palavras da bíblia. Seja o que for, a cura, me ocorre, é inevitável. Teremos de nos acostumar e dispor de uma das maiores capacidades da nossa espécie. A de adaptação. Seria interessante trocar nossos carros por passeios de canoa? Deslizar pelas águas do rio Itaigara? Da lagoa Bonocô? Da bacia de Itapoan?



Ingrid Dragone

04 Maio, 2009

Nada acontece por acaso?

Hoje acordei assustada. O meu despertador foi nada mais, nada menos, que uma batida na frente do meu edifício. O choque foi tão forte que o alarme do carro atingido, o que estava estacionado na rua, disparou. E o detalhe principal: o autor do prejuízo foi embora, saiu cantando pneus. Quando cheguei à janela do meu quarto, vi que muitas pessoas do prédio da frente também curiavam. O fato é que o veículo acertado, novinho, novinho, ficou em diagonal na pista, tamanho o impacto. O saldo? A lateral esquerda toda arranhada, uma depressão no fundo e o pneu dianteiro do lado direito furado – certamente devido à colisão contra o meio fio.

Tive muita pena do dono do veículo e pensei... Por que o carro dele tinha que estar lá naquele momento? O que acontecia com o motorista imprudente? Estava bêbado? Drogado? Não paga seguro? Corria e perdeu o controle na pista molhada? Era um ladrão em fuga? Um sacana? Nada acontece por acaso? Que lição o dono do carro tirou do incidente? Talvez a de não estacionar próximo a uma esquina? De sempre preferir a garagem?

Não houve tempo para que as testemunhas anotassem a placa do infrator. O proprietário do veículo deverá desembolsar uma quantia razoável para deixá-lo em bom estado. Bem, como diz minha mãe, nossos carros não são nossos, são da rua. E como diz meu pai, são como uma família. Exigem cuidados, investimento, assistência.



Ingrid Dragone

26 Abril, 2009

Sobre a Vírgula.

Vejam que interessante esse texto sobre a importância da vírgula. Ele foi escrito para a campanha dos 100 anos da Associação Brasileira de Imprensa (ABI).

"Vírgula pode ser uma pausa... ou não.
Não, espere.
Não espere.

Ela pode sumir com seu dinheiro.
23,4.
2,34.

Pode ser autoritária.
Aceito, obrigado.
Aceito obrigado.

Pode criar heróis.
Isso só, ele resolve.
Isso só ele resolve.

E vilões.
Esse, juiz, é corrupto.
Esse juiz é corrupto.

Ela pode ser a solução.
Vamos perder, nada foi resolvido.
Vamos perder nada, foi resolvido.

A vírgula muda uma opinião.
Não queremos saber.
Não, queremos saber.

Uma vírgula muda tudo.

ABI: 100 anos lutando para que ninguém mude uma vírgula da sua informação".


Muito inteligente! E para aproveitar o ensejo, eu adiciono:


SE O HOMEM SOUBESSE O VALOR QUE TEM A MULHER ANDARIA DE QUATRO À SUA PROCURA.

Se você for mulher, certamente colocou a vírgula depois de MULHER.
Se você for homem, colocou a vírgula depois de TEM.

20 Abril, 2009

Combate à distribuição de produtos ilegais: uma reflexão

Na semana passada, fiz uma matéria sobre a Operação “Comércio Legal”, coordenada pela Receita Federal, com o propósito de combater a prática de distribuição e comércio de mercadorias pirateadas, falsificadas e descaminhadas (que ingressam no país sem o pagamento de tributos). A ação, deflagrada no bairro do Comércio, contou com a participação de cerca de dez órgãos e instituições das esferas municipal e estadual. O saldo: cinco imóveis interditados (pontos de distribuição dos produtos); apreensão de 350 artigos, avaliados em trezentos mil reais; prisão em flagrante de dois proprietários de depósitos de mercadorias, que podem pagar multa e pegar de dois a quatro anos de reclusão.

Os produtos em descaminho (brinquedos, eletrônicos e bolsas) foram notificados pela Receita Federal. Caso não seja comprovada a entrada regular desses artigos no Brasil - através da apresentação de nota fiscal -, os responsáveis vão perder o direito às mercadorias e deverão ser representados criminalmente. No caso dos produtos falsificados (óculos e carteiras), será realizado o contato com os fabricantes para a possibilidade de uma ação judicial. Já na situação dos CDs e DVDs pirateados, será iniciada uma ação penal pública incondicionada, quando não há necessidade de autorização dos autores para o processo.

A operação “Comércio Legal” resultou de um trabalho de inteligência que a Receita Federal vinha realizando há seis meses e deverá ensejar outras ações do tipo.

Considero admirável a atuação articulada e sigilosa da Receita Federal. Mas fico pensando... Lá na ponta desses sistemas de distribuição de produtos ilegais está o vendedor ambulante. O indivíduo que, digamos, encontrou uma forma de ganhar dinheiro sem colocar uma arma na cara das pessoas. Bem, não sou a favor do contrabando, da sonegação de impostos, da falsificação. Sei também que esses esquemas trazem uma série de problemas como: utilização de mão de obra infantil, proliferação do trabalho informal e danos às pessoas que têm patentes de marcas e produtos. Mas, vamos ser sinceros... Quem nunca comprou uma bugiganga no camelô? Se não houvesse compradores, obviamente não haveria ninguém para vender. Lógico que há quem aproveite a situação para lucrar indiscriminadamente, mas há também centenas de pessoas que sustentam suas famílias comercializando essas mercadorias pelas ruas da cidade, sob chuva e sol.

O DVD que você assistiu no final de semana foi locado? Os programas e jogos instalados no seu computador são todos originais? A sua camisa da Puma foi comprada onde? E seu relógio Gucci?

E então? Pensemos nós...

09 Abril, 2009

Recomendo – parte 18

• O filme: “O Curioso Caso de Benjamim Button”. Saiu de cartaz há pouco tempo.

• Frango grelhado com arroz de brócolis do restaurante Gengibre (Bahia Marina).

• Anotar os gastos num caderninho. Faço isso há algum tempo. É legal. Você começar a entender como seu dinheiro vai embora e passar a fazer esquemas para ser menos consumista.

• Para relembrar os sucessos “dance” de 1995: a música Space Cowboy.

• Demonstrar sentimento pelas pessoas queridas. Vale bombom, abraço apertado, depoimento no orkut, beijo na testa, recadinho dentro da agenda.

• Salmão grelhado da Torre Churrascaria (Lauro de Freitas).

• A música Little Wonders (Rob Thomas).

• Priorizar nas promoções dos shoppings a compra de peças mais clássicas. Claro, a maioria das roupas e calçados disponíveis nessas liquidações não estará na moda na próxima ou próximas estações. E não se deixe levar pelos preços baixos! Evite adquirir o que não precisa.

• Filé com fritas do restaurante Torre Churrascaria.

• Produzir, criar e realizar a cada minuto do dia. Não perca tempo, sempre há o que fazer. Acredite.

30 Março, 2009

Drinks para aquecer

Novas misturas criam bebidas interessantes e fazem a cabeça dos baianos

Por Ingrid Dragone
(matéria publicada na 6ª edição da revista Evento)

As águas de março já estão fechando o verão. Daqui a poucos dias os termômetros começarão a registrar temperaturas mais baixas. A cerveja gelada, tão apreciada pelo público baiano, perde um pouco o espaço em restaurantes e, principalmente, em bares com música ao vivo e boites. Um belo e delicioso drink passa a ser, sem dúvida, uma ótima opção para tornar as noites mais quentes e charmosas. Além de ser mais sofisticado e bastante saboroso, pode ser feito sob medida.

Por todos esses motivos, especialistas e empresários da área gastronômica estão cada vez mais dedicados à arte de preparar bebidas. Variedade, um visual diferenciado e receitas originais são imprescindíveis. Tanto investimento vem rendendo bons resultados. A demanda por drinks é crescente.

Por causa disso, muitos fabricantes de destilados, interessados em ampliar as possibilidades de venda de seus produtos, têm firmado parcerias com donos de empreendimentos ligados ao consumo de bebidas. Para o empresário Nagib Daiha, proprietário da casa de shows Madrre e do bar Bohemia Music Temakeria, o aumento da escolha dos clientes por drinks tem relação direta com o lançamento de outros destilados no mercado.

“Cachaças como Sagatiba e Itagibá incentivam a criação de batidas. Há também agora as vodkas mais caras, as chamadas premium, tão valorizadas quanto um uísque 12 anos. Elas têm sido combinadas com frutas. Em alguns estabelecimentos (a exemplo da Madrre) o cliente recebe as jarras de suco e faz a própria mistura. Hoje, até uísques são combinados com frutas, o que antes era inimaginável. A vida noturna de Salvador está mais agitada e o que faz sucesso em outros estados não demora para chegar aqui”, pontua.

Mas, não basta estudar a alquimia das bebidas somente com o intuito de apresentar aos clientes um cardápio repleto de novidades. É preciso entender as suas preferências, ter sensibilidade para agradar aos mais diversos paladares. Só assim, uma mistura é capaz de desbancar a escolha pelo tradicional uísque básico, acompanhado apenas de algumas pedras de gelo, e pela internacionalmente famosa caipirinha com cachaça.

Segundo o barman João Gaspar da Silva Neto, do restaurante Barbacoa, as mulheres, por exemplo, costumam apreciar bebidas mais leves, como coquetéis de frutas e roskas. Homens consomem frequentemente as bebidas com maior teor alcoólico e sabor mais “agressivo”. O Negroni é considerado um dos best sellers entre o público masculino. Trata-se de um drink que leva Campari, gin e Martini Russo. Outro campeão de pedidos é o Sauer, uma combinação de suco de limão batido com açúcar e uísque.

Sem distinção de sexo ou idade, também fazem sucesso na casa os drinks batidos Alexander (creme de leite, creme de cacau, conhaque, pó de nozes ou canela), Pina Colada (rum Bacardi, leite de coco, e suco de abacaxi, podendo levar um pouco de leite condensado ou xarope de groselha), e Meia de Seda (creme de leite, creme de cacau e gin), e o drink montado Luz Del Fuego (licor de tangerina, suco de laranja e espumante).

“O que garante a saída de um drink é a qualidade. Ele deve ter uma boa aparência e a dosagem das bebidas deve ser equilibrada. Às vezes o cliente pede uma coisa diferente. Experimentamos e avaliamos se a combinação dá certo”, diz o barman.

23 Março, 2009

Se "arrombÔ"

18 Março, 2009

Minha música toca...

Há cerca de oito anos compus uma música para o Movimento Escalada (grupo de jovens católicos - www.movimentoescalada.org.br) juntamente com um amigo, o músico W. Quem frequenta a missa da igreja da Vitória, nas noites de domingo, diz que a canção é "top dez".

Por causa da democratização de informações proporcionada pela internet, "A VOZ DE DEUS" foi parar num site especializado em música, com cifra e tudo.

Pretendo compor mais, mas para isso preciso de um parceiro. Apesar de ter uma boa noção de melodia (herança do ballet, já que nas aulas ouvia músicas clássicas diariamente), não toco nada além de percussão com os pés (sapateado)!!!

Quem quiser conferir a música, aí está o link:

A VOZ DE DEUS

11 Março, 2009

O Sabor das Prosas de Jorge Amado

Se o assunto é o feliz casamento entre a gastronomia e a literatura, Jorge Amado é um prato cheio.

Por Ingrid Dragone
(Matéria divulgada na 3ª edição de 2008 da revista Bahia Chef)

Jorge Amado sabia que uma trama envolvente exige mais que cenários e personagens intrigantes. Suas narrativas nascem de acontecimentos históricos e possuem uma linguagem pitoresca, que evidencia e valoriza a cultura regional, o que a Bahia tem de mais autêntico. E quando se fala de um povo, de uma gente, a culinária é ingrediente fundamental, é o que tempera a obra e possibilita ao leitor a proximidade e o sentimento de auto-reconhecimento. Por isso, seus livros são recheados de aromas e sabores, trazendo a comida que não somente satisfaz uma necessidade vital, mas que se define como a extensão do bem viver.

A culinária não é uma mera coadjuvante na literatura de Jorge Amado. Ela alimenta cenas, ambientes, conflitos e o perfil dos personagens. Tem função estética, construtora e estabelece jogos de sentidos. Gabriela, Cravo e Canela. Tocaia Grande. Os Pastores da Noite. Mar Morto. A Tenda dos Milagres. Dona Flor e Seus Dois Maridos. Quem leu já teve a experiência de uma viagem pela gastronomia. Feijoada, bolinhos de carne fritos, moqueca, frigideira de bacalhau, quindim... Tudo é pretexto para falar das realidades e dos sonhos que preenchem as páginas de cada título.

Jorge Amado sempre tratou a culinária como arte, uma rica e sincera expressão da cultura miscigenada, com valores europeus e africanos. Mas os nomes e as combinações dos pratos, as misturas e as formas de cozinhar não refletem apenas essa herança - os costumes e preferências resultantes da hibridização brasileira -, como também revelam circunstâncias e intenções.

Para o escritor, o sexo e a comida, por exemplo, têm uma ligação íntima. Os atos de servir e ser servido sugerem o querer bem. Essa relação entre os prazeres gastronômicos e os prazeres da carne é bem representada no livro Gabriela, Cravo e Canela (que este ano completa seu cinqüentenário, e em junho será relançado pela editora Companhia das Letras, chegando à 80ª edição no Brasil). Nele, o sentimento amoroso facilmente mistura-se ao desejo por uma boa mesa. Nacib ama Gabriela, sua “mulher-cozinheira”. E Gabriela expressa o seu amor ao cozinhar para Nacib.

Atenta a essa forma de desenvolvimento dos romances, Paloma Amado debruçou-se sobre a vasta obra do pai, durante seis anos, para coletar tudo o que sacia os personagens criados por ele. A pesquisa resultou no livro A Comida Baiana de Jorge Amado. A compilação de receitas mostra a culinária como um elemento que reforça códigos sociais, traços psicológicos e o comportamento das pessoas inseridas nas narrativas.

A prosa de Jorge Amado transforma alimento em significado. A preparação das iguarias, o saborear, e os rituais de escolha dos condimentos são usados para falar da paixão, da relação humana, do gosto popular, dos contrates, das dificuldades e até da fome. A prosa de Jorge Amado ajuda a eternizar as peculiaridades da cultura baiana e confere um sabor todo especial à produção literária brasileira.

28 Fevereiro, 2009

Recomendo – parte 17

•Suco de tangerina do Grão de Ouro (cafezinho no 3º piso do Iguatemi).

•A loja Splash (Iguatemi), para que for comprar presentinhos. Bijuterias, bichinhos de pelúcia, enfeites de quarto etc.

•Temaki “Stella Maris” do restaurante “Ki-Temaki” (próximo ao fim de linha da Pituba). Ideal para quem pretende experimentar a culinária japonesa e não curte comida crua.

•Torta de limão da Viva Gula.

•Almoço executivo no restaurante Gengibre (Bahia Marina – Av. Lafayete Coutinho). Pagando R$ 19,90, você tem direito a uma salada, um prato e uma sobremesa. Gostei muito do picadinho de filé. Para finalizar, o sorvete de coco com uma rodela de abacaxi. A vista é linda e o ambiente é bem agradável.

•Suco de morango com limão. No Gengibre (vide dica acima) tem.

•Passar os contatos da agenda do celular para uma agenda tradicional. Um dia dá um problema com um aparelho e não adianta chorar por aqueles números custosos...

•Carnes ao molho de frutas são ótimas opções, pelo menos, em todos os restaurantes em que já pedi. Frango ao molho de laranja, salmão ao molho de maracujá e por aí vai...

•Parar de comer bebendo. A prática prejudica a digestão que é uma beleza. Para quem está acostumado a almoçar tomando uma coca-cola, no calor e tal, é difícil. Mas, ao perder o hábito as pessoas se sentem bem mais leves. Ah! Comer só o necessário para saciar a fome, a cada três horas, também é fantástico! O organismo funciona muito melhor.

•“Mint Strips” (Fresh Breath) – folhinhas (industrializadas, que fique bem claro) refrescantes que substituem tranquilamente as tradicionais pastilhas de hortelã.

20 Fevereiro, 2009

Só na televisão

Está cientificamente comprovado. Quando passa, o trio elétrico provoca uma trepidação no tórax que não é boa para o coração. Quem gosta da folia não se importa, ou melhor, nem sabe disso. Aliás, acha que o coração está muito bem nessa hora. As ondas sonoras das letras quase sem letra e das músicas cheias de ritmo contagiam os foliões apaixonados pelo Carnaval. Carnaval... a própria palavra embute o sentido de festa da carne. Com isso ainda vem o suor, as drogas (lícitas ou não), a multidão.

Com a multidão vem o tumulto. Com o tumulto, a violência. Com a violência, o arrependimento. Com o arrependimento? Sei lá! Só quem se arrisca sabe! Acho tudo muito bonito... na televisão! Acompanhar os melhores momentos, muito bem pinçados pelos editores de vt das emissoras, é até legal. E só.

Para mim, o anúncio do Carnaval é sinônimo de “vai começar a baixaria”. Quando passa, o trio elétrico arrasta uma massa disposta a muitas coisas. E se quando eu falo em “muitas coisas” pareço desfiar um discurso vago, dá para ser mais explícita. Brincar é uma coisa. Beijar é outra coisa. Outra coisa é brigar. Coisa outra é roubar.

Portanto, no período carnavalesco, o melhor lugar do mundo é o meu ou um lugar bem longe de Salvador. Porque, quando passa, o trio elétrico chama, chama, chama, chama gente. E, como diz meu pai, “gente não é gente”, ainda mais quando os corpos se inflamam, ávidos por aventuras, êxtase, novas experiências... “Atrás do trio elétrico só não vai quem já morreu”? O refrão é de muitos carnavais. Minha descrença nele também.



Ingrid Dragone

14 Fevereiro, 2009

Varandas. Por que tê-las?

Há cerca de um mês assisti uma reportagem sobre a valorização das varandas em apartamentos. A matéria mostrava que os empreendedores do mercado imobiliário vêm entendendo cada vez mais a importância desse equipamento na vida urbana. Tenho uma teoria sobre essa importância. É fato: estamos trancados, custodiados em nossas próprias casas, com medo da violência e de todos os traumas que ela acarreta. A varanda representa, nesse contexto, uma chance de liberdade, contraditoriamente cercada, cercada de uma suposta “segurança”.

Juntamente com essa “varanda” vem um pouco de ar livre, do canto dos pássaros, do azul do céu sem o filtro dos vidros fumê, além da inspiração para uma existência cheia de frugalidade. Assim, a rede não é mais o objeto de descanso sobressalente, é fundamental, é salutar. E olhar a lua do alto pode ser um ato inerente aos pouquíssimos intervalos ociosos de um dia inteiro.

A varanda torna-se o quintal citadino. O ponto de encontro dos amigos. E o “jantar fora” também, muitas vezes, significa colocar os pratos na mesa desse espaço. A varanda passa a ser o sonho edilício das crianças de playgroud, dos recém-casados apaixonados e dos aposentados que não arriscam o seu andar vagaroso nas esquinas perigosas dos pivetes.

A varanda não se configura mais como um mero anexo, habitado por caxipôs dos mais variados tamanhos. Se, hoje, pode funcionar como um dos elementos propulsores da venda de novos apartamentos, por todos os benefícios que é capaz oferecer – voluptuosos, de simples deleite ou entretenimento e demais fins - certamente lhe caberá a função mais terna: a de ambiente de paz.

Embora suspensa sobre as buzinas e a confusão de gente...




Ingrid Dragone

18 Janeiro, 2009

Recomendo – parte 16

  • Para assistir em família, num domingo, o filme Ratatouille. Tema? Gastronomia!

  • Porção de quibes do Chalezinho (Av. Otávio Mangabeira).

  • Se a gripe insistir: Fluviral.

  • Chicletes Valda. Depois de um almoço (na rua) é bom.

  • Hot Roll do restaurante Barbacoa.

  • Almoço no restaurante Iemanjá (Av. Otávio Mangabeira. Jardim Armação).

  • Mensalmente organizar papeis. Eles se amontoam rapidamente, sejam úteis ou não. Com eles você perde espaço e acaba atraindo baratas e poeira.

  • Começar a se ligar nas alterações gramaticais da língua portuguesa.

  • Para refletir: a matéria “Viver bem com pouco” (pág. 38) da revista Época de janeiro. Muita coisa em nossa vida nem faz sentido...

  • A música Bubbly (Colbie Caillat). Suave...


11 Janeiro, 2009

Entre as parreiras e o www

Passamos boa parte do nosso tempo trabalhando para ganhar o dinheiro que poderá ou não ser gasto no tempo em que não estamos trabalhando. Dinheiro adquirido com suor e estresse, sob os mais diversos percalços, crises e aflições.

Queremos estar diariamente mais atualizados, instruídos e a par das novidades científicas e tecnológicas. Para isso, existem as revistas e os jornais impressos, a televisão, o rádio, a internet - com sua pretensa atualização em tempo real - e até os celulares com acesso à web. Interatividade e interconectividade são vocábulos cada vez mais usuais e o www já está incorporado ao movimento das nossas mãos.

Então me ocorre a imagem do cara que vive na roça, tranquilamente, com aquele ar de quem nada sabe, mas sabe. Será que a vida dele é menos interessante porque ele não está preocupado com o que nos preocupa?

No início do mês estive no interior. Lá, numa casa com quintal, tive a oportunidade de tirar uvas do pé e saborear, uma a uma. Pretinhas, pequenas, doces, doces... Aquilo me fez sentir uma saudade boa nem sei de que. Talvez de uma sensação que eu quase nunca tenha vivido antes. Resumindo: serotonina.

Repeti o ato muitas vezes durante aqueles dias de descanso. Teria gostado tanto porque não se trata de algo comum no meu dia-a-dia? Ou por que é um tipo de passatempo realmente mais saudável, que pode ser lido no jargão “menos é mais”? Ou na filosofia que defende a felicidade como resposta à integração homem-natureza?

Tenho consciência de que não fico sem grandes centros comerciais, sem escrever no meu blog, sem telejornais, sem alguns dos entretenimentos oferecidos pelas grandes cidades, seus dispositivos, plasmas e equipamentos acimentados. Abdicar de tudo isso seria complicado... Meu computador por parreiras?

O que sei é que tirar aquelas uvas frescas e comê-las ali, sem qualquer cerimônia, de maneira tão imbrincada ao ambiente natural, fez com que eu me sentisse mais perto de Deus, da vida que, imagino eu, ele queria que tivéssemos. E para quem não acredita em Deus, posso estar falando de uma força (muito) superior à nós e nossas construções, parafernálias eletrônicas, protolocos e paranóias citadinas.

Fico aqui com minhas divagações...




Ingrid Dragone

31 Dezembro, 2008

Feliz ano novo, feliz VOCÊ!!!


Nesse reveillon, use branco, tome champagne, cumpra todos os rituais de que gosta, mas não esqueça do pensamento renovado, aberto ao que verdadeiramente deseja para a sua vida em 2009. Não deixe que as pessoas digam o que você deve fazer. Escute conselhos, pondere, mas sempre aja seguindo os princípios que regem a sua forma de encarar a existência, respeitando a órbita de interesses em que você gravita. Permita que os sentimentos que fazem parte de você sejam tornados vivos, vistos no mundo e, principalmente, reais aos seus olhos. Coloque os anseios da sua personalidade em dia. E ter personalidade não tem nada a ver com ser agressivo, egoísta e agir com teimosia. Para mim, ter personalidade é, simplesmente, fazer o que a nossa força interna pede e acha correto, com a consciência do que se ganha e do que se perde. 2009 é mais uma oportunidade de revigorar energias e colocar em prática os sonhos adormecidos. É mais uma chance de fazer predominar a sua pessoa sobre a pessoa que querem que você seja. Realize mais e melhor e faça a sua vida ter a sua cara!

Feliz ano novo!!!



Ingrid Dragone

23 Dezembro, 2008

Natal! E nasce... Papai Noel???



O Natal está aí, batendo em nossas portas, cheio de guirlandas, árvores e versões decorativas esdrúxulas de Papai Noel – o bom velhinho dançando, tocando, tomando banho e até, meu Deus, fazendo cocô! Embora a introdução do texto possa sugerir o contrário, não posso mentir: eu adoro essa época do ano. Acho que é uma ótima ocasião para reunir a família, estar ao lado de quem gostamos e, claro, aproveitar uma deliciosa ceia, ganhar e dar presentes. Acredito também que esse seja um dos momentos em que mais analisamos o rumo das nossas vidas, incluindo aí, relacionamentos, profissão, atividades e aquisição de bens. Mas, como dizem, “vamos combinar”... os estímulos que recebemos em dezembro para consumir são imorais.

Quando entramos nas lojas e centros comerciais já sentimos a atmosfera “você precisa comprar”. A decoração raramente prioriza o que seria o sentido genuíno do Natal. Ainda não vi presépios. As instalações têm Papai Noel; o que lembra criança, o que lembra criança pedindo presente, o que lembra presente, o que incentiva a consumir. E a neve? Vai parar nas vitrines em pleno calor, totalmente descombinada com os ares tropicais da Bahia. Lógico, tem que combinar mesmo é com a roupa de frio e o lugar de origem do “Santa Claus”.

“Economize razão e gaste emoção” é a idéia da impetuosa campanha de um dos shoppings da cidade. Leia-se: “Não seja pão-duro, mão-de-vaca, canguinha! As pessoas que você ama merecem sua generosidade! Gaste sem pensar duas vezes!” Esse “empurrãozinho” associado às promoções cria o contexto perfeito para a gente sair balançando sacolinhas e mais sacolinhas. Impulsionados pela idéia da vantagem/oportunidade, muitos acabam levando para a casa o que nem precisavam ou realmente queriam.

E quem deixa para fazer as compras na última hora? O famoso plantão do shopping ajuda. O problema aí é ter muita paciência e disposição para levar pisões, cotoveladas e trombadas pelos corredores, abarrotados de consumidores andando com uma pressa irrefletida.

Bem, no sentido denotativo da expressão “no final das contas”, o valor a pagar é alto. No sentido conotativo, até que o esforço vale a pena. É gratificante a manifestação de felicidade de quem recebe as caixas e embrulhos arrumadinhos, cheios de mimos. Além disso, fica tudo um brinco. Nossa roupa, nossa sala, nossa mesa. O que falta é, muitas vezes, em muitos lares, agradecer a Deus pelas condições de comemorar. Enquanto isso, o comércio já engatilha ações e eventos para fazer as pessoas gastarem novamente.




Ingrid Dragone

16 Dezembro, 2008

Recomendo – parte 15

Bem, está bem gastronômico esse “recomendo”. Sabem como é... final de ano, muitas festas, férias...

  • Carne de fumeiro do restaurante Gibão de Couro (Rua Mato Grosso, 53, Pituba).
  • Almoço, aos domingos, no Beach Stop de Stella Maris. Lá tem aquele clima de “depois da praia”. Bem descontraído... O ensopado de camarão é uma boa pedida. Para quem só vai fazer um lanche, sugiro o pastel de frango.
  • Olha, eu achava brega, mas experimentei e gostei. É o seguinte: essa dica só é válida para quem tem namorado(a) pé-de-valsa!!! Rs. O programa é ir dançar no Clube Espanhol às sextas (R$ 10,00 por pessoa) ou aos sábados (R$ 15,00 por pessoa). Ps: Fui num sábado. Não sei como é às sextas.Quem gosta de dança de salão e não está preocupado em paquerar, vai curtir. A banda toca forró, salsa, bolero, soltinho... O espaço é climatizado e grande. Sucesso!!! Para beliscar: a porção de quibes é legalzinha.
  • Temakeria Barthô (Rio Vermelho). Ambiente agradável e temakis deliciosos.
  • Filé mignon ao molho de mostarda do restaurante Torre Churrascaria (Estrada do Coco). Muito bom e bem servido para dois.
  • Jantar no Aice Zuzhi (Av. Paulo VI). A última reforma deixou o restaurante ainda mais agradável.
  • Para almoçar nos shoppings Iguatemi, Barra e Salvador: Filé Lucca com batata Ana do restaurante Bonaparte.
  • Ter molho shoyo em casa. Ele não fica bom só em comida japonesa/chinesa.
  • Comer chocolate acompanhado de vinho tinto. Hum...
  • Para quem gosta de inovar, sugiro hot dog com salsicha de frango, molho de tomate (lóoooogico), milho verde e passas. Doce com salgado. Bem, eu curto.

09 Dezembro, 2008

Quando estar na moda é cafona


Se a moda que eu vi, esta semana, nuns vídeos disponibilizados na internet pegar, o próximo verão será marcado por mulheres muito mal vestidas. Saias rodadas e armadas, combinadas com sandálias rasteiras denominadas “gladiadoras”... Em primeiro lugar: esse tipo de roupa fica menos mal em pessoas altas e magras. Vamos eliminar aí mais da metade da população baiana e, porque não dizer, brasileira. Em segundo lugar: a vestimenta lembra mais uma fantasia, daquelas tiradas do baú da vovozinha ou de um brechó (no sentido originário da palavra). Em terceiro ligar: será muito fácil ver a underwear de quem sobe, por exemplo, uma escada com esse tipo peça. Quanto ao calçado em questão... Os que pleiteiam o conforto do sexo feminino podem até apresentar argumentos plausíveis, mas desfilar cheia de tiras até o tornozelo (ou até o joelho, como vi ontem uma menina no shopping), propagando um jeitão descontraído e repleto de rusticidade, não é elegante.

Quem foi o primeiro basbaque a aceitar essa tolice de seguir tudo o que o mundo-business-fashion impõe? A indústria da moda fatura em cima da idéia, quase nunca velada, de que a pessoa “antenada” nas tendências é a bem aceita na sociedade. Concordemos que comprar é ótimo, que receber elogios pela roupa nova também, mas ceder à ditadura das grifes é cafona demais.

Numa era em que o conceito de pluralidade/diversidade se prolifera por todo o planeta e as populações vêm compreendendo, a duras penas, o respeito às peculiaridades de cada um, nada mais fora de moda do que contribuir para a retroalimentação dos padrões estéticos “sugeridos” pelos “lançadores” de estilo. É deprimente virar cabide das invencionices que precisam existir, estação a estação, com a finalidade de render lucros para grandes empresários.

Que prevaleça o bom senso e a atitude. Ninguém deve encarar a vida como uma passarela. Nem, na outra extremidade, pensar que a roupa não é importante, pregando que, afinal, algumas das melhores coisas da vida são feitas sem ela.

Ingrid Dragone

18 Novembro, 2008

Recomendo – parte 14


  • Para quem vai almoçar em casa, principalmente no final de semana, e fica com preguiça de cozinhar: lasanha verde à bolonhesa da Perdigão (linha Apreciatta). É boazinha mesmo.

  • Boliche com os amigos.

  • Trabalhar ouvindo músicas de relaxamento. Essa dica é muito boa para quem vive tenso na frente de um computador.

  • Comprar AGORA os presentes do Natal. Não tem que comprar? Vai logo! Enfrentar aquele movimento infernal dos shoppings na véspera das festas natalinas pra quê?

  • Tentar resgatar uma atividade/hobby. Levados pela correria do dia-a-dia, muitas vezes deixamos de fazer as coisas que têm a ver com a nossa personalidade, as coisas que nos completam, que nos provocam felicidade e bem-estar.

  • Biscoito Nestlé Classic. Gente... É bom! Tão bom! Tem gosto de barra de chocolate, não enjoa! Confesso: como sozinha um pacote de uma só vez!

  • O exercício constante de afastar pensamentos ruins. É verdade: atraímos para nós as situações que a nossa mente imagina.

  • Assistir filmes de aniversários e festas da família. Rever (e criticar, lógico...) as roupas, cabelos, músicas e coreografias da década de 80 (ou da década em que você se enquadra) é muito divertido!

  • Bar Porto Brasil (Pituba).

  • Ouvir um violão, na varanda de casa, numa tarde de domingo.

06 Novembro, 2008

Resenhas de Academia

Algumas situações cômicas podem ser observadas por um freqüentador de academia de ginástica. Para não me alongar muito nessa introdução, vou pontuar pequenos episódios.

  • Dance é “a” música para musculação. Não tem jeito. É o estilo que mais incentiva qualquer cristão a agüentar aquelas séries chatíssimas de repetições. Mas gosto é gosto. Não é de se estranhar que um adolescente sugira ao funcionário da academia que coloque um cd de “O Rappa” para tocar. Aí a situação de perder tempo e gastar neurônios com movimentos repetidos e contagem torna-se duplamente sacrificante. Embora não curta a banda, a reclamação é pura e simplesmente pelo fato de esse tipo de som não combinar com supinos. Definitivamente. E o mais engraçado é ver um magrelinho, daquele que não ganha peso de maneira alguma, olhar-se no espelho após um exercício extremamente penoso enquanto ouve “Valeu a pena / ê ê / sou pescador de ilusões”.

  • E um cara que malha com protetor de dentes? Sim! Aquele usado por lutadores de boxe! Não estou mentindo!!! Surreal!!! Ridículo!!! E a graça do rapaz não se encerra por aí. Querendo ser muito forte, ele puxa o peso de meio mundo e geme muito, muito, muito alto. Muito alto mesmo, parecendo um animal selvagem preso numa jaula e ainda sob tortura. Todos olham e dão risada. Ele nem percebe... todo concentrado na missão de ficar “torado”.

  • Ah! Não posso deixar de citar a coroa tirada a gatinha! Acho legal a mulher mais velha que se cuida e usa roupas joviais, mas bermuda de oncinha é demais pra minha cabeça. E o pior: coladíssima, e marcando tudo, tudo, tudinho.

  • Existe também a adolescente que quer emagrecer e tem preguiça de fazer as seqüências de exercícios. Antes de sair de casa ela passa por uma super produção. Chega à academia exibindo seu tênis mega-caro-fashion e, claro, acompanhada das “migas”. Conversa, conversa, conversa. Malha a língua, né? Depois desce e vai tomar um sorvetaço de chocolate, com calda de chocolate, leite em pó, biscoitinho crocante, amendoim e confete na lanchonete ao lado.

  • E a “gostosona” sem noção? Ela acha que a academia foi toda projetada para ela, todos os aparelhos são para ela, e todos os instrutores são seus Personals Trainers. Ela tem uma bunda inacreditavelmente dura e os miolos inacreditavelmente moles.

  • E o tio barrigudinho? Pesa uns noventa quilos, mal faz esteira e acha que vai ficar com abdome de tanquinho. Ele se acaba todo pensando estar arrasando na abdominal, quando na verdade está malhando só o pescoço.

Ingrid Dragone

23 Outubro, 2008

Candidatos? Colei neles!!!

Nunca estive tão envolvida com as eleições. Não porque tenha defendido determinado candidato. Definitivamente, não tenho mais esperanças. Só não voto nulo. E pronto. Voltando à primeira frase do meu texto... Não gosto do politiquês, não gosto mesmo, mas boa parte dos meus últimos finais de semana tem sido dedicada ao movimento eleitoral. E preciso contar dois fatos.

O primeiro aconteceu no dia 5 de outubro. Estava produzindo um repórter que entraria com links ao vivo. Aguardávamos o candidato Walter Pinheiro – que àquela altura já se sabia no segundo turno – no comitê dele. Havia vermelho por todos os lados. Estrelas por todos os lados. E “é treze, é treze, é treze, é treze, é treze, é treze, é treze, é treze...” por todos os lados. A imprensa toda alvoroçada para a coletiva que aconteceria dali a poucos minutos. Poucos não. Demorou. E estávamos ali, preocupados com o fio do microfone. Cobrir eleição com microfone de fio??? Tudo bem, nada que uma equipe competente não pudesse superar. Bem, vamos encurtar a história. Com a chegada de Pinheiro, naturalmente, todos os jornalistas se amontoavam, engalfinhavam, empurravam, e outros verbos agressivos terminados em “avam”, para conseguir uma sonora (entrevista, declaração, enfim). Pensamos numa participação dele ao vivo na nossa emissora. Então, abusei mesmo de uma cara de pau incrível e, claro, do meu tamanho. Furei toda a muralha dos meios de comunicação e em poucos segundos já estava colada no prefeiturável. Atrás dele, que dava uma entrevista por telefone e suava muito, pelo tumulto e por todas as luzes dirigidas a sua pessoa. Tá. Um ou outro pinguinho de suor caia sobre mim. Mas, tudo pela entrevista. Praticamente puxei o candidato pelo braço e prontamente o coloquei na frente das nossas câmeras. Sucesso! Tudo havia valido a pena. Até os pingos de suor. Até, inclusive, a minha participação em alguns vídeos alheios como papagaio de pirata.

O outro fato foi nos preparativos para o segundo turno. Debate na emissora. Do lado de fora uma mistura de “é treze, é treze, é treze” com “é quinze, é quinze, é quinze”. Pensei que fosse ficar doida. Já havia chegado meio indisposta, mas tentava controlar os sintomas que começavam a me perturbar. Tinha a missão de recepcionar o candidato João Henrique. Calma, calma. O mal-estar não tinha nada a ver com isso, ok? Estou divagando muito; vamos ao ponto. Quando ele chegou, meio mundo foi em cima. Ele avançava em direção à escadas, os jornalistas o cercavam, andando de ré. Pensei que ia ser atropelada. Contornei o grupo e colei nele. Tínhamos certa pressa para começar o debate e ele ainda tinha que ser maquiado antes de ir para o estúdio. Colei, porque precisava arrancá-lo do assédio da imprensa. Colei tanto que ocupei um espaço semelhante ao da sua digníssima. Nessa agonia, entretido com tantos microfones, repórteres e câmeras, ele pegou em minha mão, de modo firme, achando que eu fosse sua esposa. Eu soltei. Ele pegou. Eu soltei. Ele pegou. Eu soltei. Ele pegou. Até que ele se encontrou no meio da confusão. Poucos minutos depois ele já estava no estúdio e eu comecei a passar muito mal. Fui para casa. Não vi mais nada. Nada. E no outro dia sobrou a ressaca de uma noite de indisposição e essa história do “pega-não-pega” par rir um pouco.



Ingrid Dragone

16 Outubro, 2008

Recomendo - parte 13

* Para assistir num domingo, em família, o filme Encantada (Disney).

* O coquetel de frutas sem álcool do Coco Bahia.

* Para gengivas inflamadas, a pasta de dentes Parodontax. Digo logo: o gosto é horrível, mas funciona.

* Para homens: sabonete líquido da Calvin Klein. Bem refrescante (deve ser bom para quem faz a barba). À venda na loja King Market, Salvador Shopping.

* Novo chocolate amargo da linha Talento (Garoto).

* Para aquelas dores provocadas por tensão: Salompas! Eu não acreditava, mas funciona!

* Para os cervejeiros de plantão: mais cuidado com a Set! Segundo notícias divulgadas na imprensa, agora as blitzs da lei seca não vão acontecer somente nos finais de semana. Além disso, os pontos de atuação não serão mais pré-definidos. Muito motorista desavisado vai se dar mal.

* Para as mocinhas casadoiras: ler entrevistas de Vera Simão. Ela é considerada a expert brasileira em realização de casamentos.

* O filme Ensaio sobre a cegueira. Bem, quem gosta de ação, não vai curtir. Quem gosta de mensagens, sim.

* Almoço no restaurante A porteira. Aos sábados é ótimo.

18 Setembro, 2008

Passos

Entre as pedras do parque e as imperfeições do chão de cimento: vacilantes. Pela inexperiência e contínua adaptação aos sapatinhos: desiguais. Assim, os passos da criança iniciada na rotina de andar. Por vezes, pensando que já pode correr, acelera e pende o corpinho para frente, como se fosse cair a qualquer momento. Por vezes, pensando que sabe ser independente, ao pegar um brinquedo abandonado em outro cômodo da casa, vibra.

O espaço ao seu redor parece o mundo inteiro. Mas ela vai descobrindo que nem tudo é permitido, porque anda, mas alguém segura a sua mãozinha para que não caia, para que não pegue, para que não prove. O mundo inteiro...

Ela ainda vai entender que dar passos não se resume ao domínio, com equilíbrio e firmeza, da mecânica do pé ante pé. Vai entender que o andar ganha outros sentidos. Um dia terá mesmo que caminhar sem ajuda. E isso poderá doer muito. Vai encontrar pedras, buracos, bifurcações... Vai perder a direção. Vai retomar o trajeto, e se perder novamente. E se achar. E se perder. E se achar... Ela ainda vai entender que terá a vida inteira para aprender a andar.

Ingrid Dragone

16 Setembro, 2008

Cena Real

Aparado por alguém e sob um sol muito forte, o homem descia a elevação de areia com os braços abertos. As palmas das mãos voltadas para cima. A feição de um sofrimento antecipado. No meio de um pequeno grupo de pessoas estava a tristeza da qual teria certeza naquele momento. O corpo do seu filho estendido na praia. A toalha por cima do corpo não escondia as pernas - já reconhecidas à distância - do jovem de dezesseis anos. O homem aproximava-se do corpo e ao descobrir a cabeça do menino constatava num pranto cheio de dor: “é verdade... é verdade...”. Ele beijava a face do filho, chorava debruçado sobre o tórax dele, e o tocava muito, entendendo precocemente a falta daquele tato a partir de então.

A cena é real. Imagens de uma matéria feita esta semana sobre o afogamento de um estudante. Era manhã de domingo. O passeio de bicicleta com os amigos precedeu o banho de mar, que precedeu a morte, que precedeu o sofrimento de uma família para sempre.

O pai havia pedido que o menino não fosse à praia naquele dia ensolarado e especialmente convidativo. O que ou quem pode nos impedir de viver? E de morrer?


Ingrid Dragone

09 Setembro, 2008

Mimo Gastronômico

Dificílimo. Definitivamente. Esta semana, fui ao supermercado após “aquela” jornada diária. Naturalmente bateu o desejo de levar para casa um mimo gastronômico, embora esteja pensando há um tempo em manter uma alimentação mais saudável, projetando um futuro sem remédios. Quando ia bem tranqüila em busca dos itens para a tal “reeducação alimentar”, passei por uma ala repleta de chocolates. Cores chamativas em papéis laminados. Caixas com os mais variados formatos. Inúmeros tipos de recheio.

O que aquelas embalagens de “Sonho de Valsa” (ainda não inventaram um chocolate melhor) me diziam naquele momento? Tão suplicantes? Incrivelmente magnetizadas? E o pior. A disposição para gastar era grande... Havia até lançamentos nas prateleiras! Cheguei a me aproximar. Logo voltei à rota original. Quase parei novamente para me entregar ao prazer da gula.

E o final dessa história? Um carrinho cheio de barrinhas de cereal, frutas, iogurtes, biscoitos de fibra, sucos e... um pacote de biscoito recheado sabor chocolate.Um só!!! A indústria alimentícia, dotada de inimagináveis artifícios para atrair os consumidores, seduz facilmente alguém ávido por um pequeno deleite ao final de uma segunda-feira.


Ingrid Dragone

02 Setembro, 2008

Recomendo – parte 12

1. Barrinhas de cereal da Plus Vita. Tem de maçã com canela e de banana com mel. Elas são mais crocantes do que as das outras marcas.

2. Preparar um lanche com o (a) namorado (a). Pode ser divertido. Pode ser bem romântico.

3. Para quem gosta de iogurte, especialmente de ameixa, a garrafa da marca Batalha. É gostosinho e o preço é bem em conta.

4. Roupas de banho e ginástica da Dijana (Rua Ceará, Boulevard 405, Pituba).

5. Passar uma manhã de domingo na barraca “Caporal”, na praia de Stella Maris. Você fica de lá, olhando o mar e jogando conversa fora. O sombreiro enorme te protege totalmente do sol. E de quebra você pode pedir um caldo de sururu. O de lá é muito bom. Embora da última vez tenha experimentado o caldo de polvo. Eu, nojenta para essas “coisas”, curti legal. Tenho que pontuar que o atendimento da barraca é meio lento, mas se você não tem horário...

6. Seriado “Heroes”.

7. Serviços prestados pela CAM (Clínica de Assistência à Mulher).

8. Fazer uma limpeza no guarda-roupas. Sem pena, dê metade de tudo que ocupa suas gavetas e araras. Com certeza você nem lembra que todas aquelas peças existem ou já está enjoado (a) delas. Abra espaço para as novas.

9. HOT ROLL!!! Iguaria da culinária japonesa! O do restaurante Jóia é muito gostoso... Mesmo quem não curte cozinha nipônica vai gostar. Acredito.

10. Em dias de dúvida... O jeans preferido e a camiseta básica, incrementados com acessórios bons e bonitos. Ah! O perfume não pode faltar.

13 Agosto, 2008

Imprevisibilidade

Os olhos que se fecham à noite, certos da ordem das coisas, não sabem o que vão ver nas primeiras horas de sol. Nada está seguro em nossas mãos. Imprevisibilidade rima muito bem com vida. E aí, aceitar. E agradecer. E não temer. Acreditar que uma simples gota d’água só cai do alto de uma árvore se tiver que cair.


Não se trata de um pensamento determinista. É saber que quando estamos perdendo algo, temos outra chance a ganhar. E que muitas vezes nem estamos perdendo, porque aquilo que se esvai, que parece se desprender de nós, nunca nos pertenceu de verdade, ou nunca deverá nos pertencer, por razões intocadas pela nossa compreensão mundana.


Quando nos sentimos injustiçados a caminhada torna-se amarga. A chave para não alimentar frustrações e evitar as elucubrações que nos fazem mal é apostar na validade de todas as experiências, desconfiar da palavra sempre, e realizar sem esperar retorno. Ele virá, mas de uma forma desconhecida, sem data imaginada.


Uma vez li uma frase interessante: “Deus faz hoje, você entende amanhã”. É bom confiar nesse ensinamento. Em momentos de sobressalto é nele que podemos encontrar o abraço de que precisamos.




Ingrid Dragone

03 Agosto, 2008

Recomendo - parte 11

* Record News. Canal aberto (31) de notícias, 24 horas no ar.

* Rodízio de petiscos no bar Santo Antônio (Pituba). Todos os dias, exceto em vésperas de feriados e feriados, das 17 às 20h. R$ 10,90 por pessoa. Queijo coalho, quibe, coxinha, batata frita, aipim frito, etc. Uma desvantagem: os petiscos são servidos conforme uma ordem determinada por eles, ou seja, não adianta desejar mais camarão se não for o momento de servir camarão.

* Loreal Pure Zone Máscara Peel - A máscara se solidifica minutos depois de aplicada, transformando-se em uma película removedora da oleosidade, impurezas e cravos.

* O filme Jogos de Amor em Las Vegas. Engraçadinho. Dá pra se divertir.

* Site Observatório da Imprensa.

* O Petit Gateau da Torre de Pizza.

* Sair para dançar com o(a) namorado(a).

* O livro Rota 66, de Caco Barcellos. Não se trata de uma obra-prima literária, mas para quem gosta de jornalismo investigativo é interessante.

* Cantar quando o trânsito estiver estressante.

*Rodízio de pizzas do restaurante Parrillero (Pituba). R$ 12,50 por pessoa!!! Pizza boa e atendimento bom.

29 Julho, 2008

A Desconhecida

As gorduras repousavam bem adaptadas sobre a cadeira de ferro. Parecia que as pernas do móvel poderiam ceder a qualquer momento com tanto peso. As nádegas extrapolavam, e muito, a circunferência do assento. A cintura terminava em franzidos laterais de três dobras. Causadas pela flacidez, as ondas nos braços tinham todas as nuances enfatizadas pela luminosidade do sol. As panturrilhas não gozavam mais dos contornos firmes. Os cabelos ainda eram bonitos, sedosos... e o faziam pensar em muitas coisas.

Ele não compreendia o que havia acontecido com a mulher que conhecera há vinte anos. Aquela que o encantou dançando numa festa de verão. O corpo, pequeno e todo certinho, que com movimentos leves e sensuais era embalado pelas músicas da moda. Apenas os cabelos ainda eram os mesmos.

Ele pensou na cruel e inexorável ação do tempo. De como a maternidade e o casamento podem minar a beleza de uma mulher. Uma mulher que já não dá importância à silhueta que vê no espelho. À pele que reflete o cansaço e exala o cheiro da fritura que vai à mesa no jantar. Uma mulher que se contenta em estar com uma roupa limpa e as unhas bem cortadas.

Uma desconhecida... A mãe dos seus três filhos. A mão que de maneira tão dedicada preparava bolos e pães. A pessoa com quem dividia a cama todas as noites. Tudo isso, e quase nada como personificação do desejo. Quem era a pessoa acomodada na cadeira? Não havia mais com o que se ludibriar. Os olhos viam o que o coração gostaria de negar. A união tornou-se monótona. Preguiçosa como aqueles quilos de tecido adiposo relaxados dentro da estampa de flores.

Ingrid Dragone

22 Julho, 2008

O Preço da Sinceridade

Seja sincero, mas responda por isso. Sua reação autêntica ou palavra fidedigna pode magoar. Ofender. Causar fissuras nas relações pessoais e profissionais. Muitas pessoas preferem os que vivem de abraços e frases doces, mesmo que nada daquilo seja condizente com os reais sentimentos. Seja porque não querem absorver mais problemas em dias atuais, já tão complicados, ou mesmo por considerarem a falta de sinceridade um exemplo de educação.

Tá bom. Ninguém precisa também aturar grosseria. Nem desabafos descabidos. Nem todas as labaredas de uma cabeça quente ou um coração ferido. É preciso aprender a dose. Digo isso para mim. Preciso dizer. Todos nós, sinceros, precisamos.

Pois há momentos em que é imensuravelmente difícil segurar a língua ou um olhar duro. Aquilo tudo quer vir à tona e você tem a sensação de que se não sair, ocorrerá um implosão interna. Uma destruição sem precedentes.

A contenção está mesmo no pensamento que antecede a fala. Segundos de pensamento. Chega à boca o que você quer externar, depois de um caminho rápido e sufocante. É necessário avaliar cada vírgula. Deixar sair o que for editado. Ou nem deixar sair. Ceder ao ato de calar. Exercitar o silêncio que pode manter a ordem.

Outro dia meu chefe falou em engolir sapos gordos, com pernas abertas e cheios de unhas. Uma terrível e, ao mesmo tempo, plausível solução para as intempéries do dia-a-dia. Sinceramente... Preciso treinar muito.


Ingrid Dragone

15 Julho, 2008

Edição

O repórter chega da rua. Furo gravado. O material mal repousa sobre as mãos do editor. Escadas. Ilha de edição. Olhos. Ouvidos. Ambos atentos à fita bruta. Plano seqüência... A filmagem de quinze será resumida a minutos. Dois, no máximo. Síntese e conteúdo. A matéria: uma história bem costurada. Lógica, relevância dos fatos, do que é dito pelas fontes. O tempo corre. O programa já está no ar. O tempo corre. A matéria não pode cair. É a do dia. Concentração. Raciocínio. Contextualização. Parte técnica: insert, fade, mosaico. Ainda falta a cabeça, os créditos, o gc, a impressão do espelho e da lauda. O tempo corre. O editor corre. Corre e xinga. Enfim, o vt é rodado para o telespectador, que nem desconfia do leão morto por trás daquelas imagens. Sentadinho no sofá.



Ingrid Dragone

07 Julho, 2008

Recomendo – parte 10


  • Para quem gosta de filmes sobre amizade: Regras do Brooklin.
  • Bombom Bossa Nova, da Kopenhagen.
  • Relembrar músicas das décadas de 80 e 90 numa roda de violão. Muito divertido.
  • Beber, pelo menos, um copo de água ao acordar.
  • Fazer surpresinhas para as pessoas queridas. Elas ficam felizes e você mais ainda!
  • Um auto-presente! Depois de trabalhar tanto, você merece comprar algo que deseja faz tempo. Um relógio, uma bolsa, uma televisão...
  • Mudança na arrumação do quarto. A atitude pode ser simples, mas garante um novo astral.
  • Pizza de Catupiry e frango, com borda de chedar, da Cheiro de Pizza.
  • Domingo de sono após uma semana puxada.
  • Cinema à meia-noite. Sem fila. Sem pirralhada.

02 Julho, 2008

Chega de drama???

De modo natural enxergo o que a vida tem de mais puro e bonito, mas não dá para conter o rio com uma grade ou esconder o sol com a peneira. É inevitável a minha indignação com a maldade do ser humano, seu instinto de “puxar o tapete”, seu desejo de se dar bem, ferindo e subindo nas costas dos outros, sua insensibilidade e, sobretudo, mania de violência. Às vezes tenho a impressão de que não fui talhada para esse mundo. O que há de errado com uma terra de grama verdinha e cheia de borboletinhas amarelas?

Não posso me perguntar isso? Acho que não deveria me perguntar isso em público... Admito: tanta desigualdade social e desgraças têm me tocado ao extremo. Esta semana cheguei a acordar com pesadelos horríveis, provocados pela rotina de apuração e conhecimento de assassinatos e crimes estarrecedores, das mais diversas naturezas. Não me acostumo.

“Onde esse mundo vai parar?”, sempre questionam os mais velhos. Muitas pessoas, vestidas com o discurso do “chega de drama”, acham esse tipo de comentário uma basbaquice (é assim mesmo que se escreve). Devem viver em outro planeta, pois quem está ligado no que, de fato, acontece tem a plena consciência sobre o desnorteio de tudo, da falta de diretrizes.

E agora? Eu tinha que terminar esse texto sugerindo uma solução? Cadê minhas borboletinhas amarelas???



Ingrid Dragone

26 Junho, 2008

Pintei também

20 Junho, 2008

Mistério



Herdastes da lua

Qualquer mistério,

Um corpo único

Grandezas de império


Num instante, menino

Areias, móbile

Num outro, Hércules

Palavras, paixões


Incabíveis desejos

Em ponteiros

Continentes

Razões



Ingrid Dragone

17 Junho, 2008

Recomento – parte 9


* Ter no quarto fotos de momentos especiais. Olhá-las depois de um dia cansativo é muito bom.

* Forró na boate Madrre (às sextas).

* Licor de chocolate da Chocolate Caseiro Ilhéus (Iguatemi).

* Biscoitos sem gordura trans na composição. Está comprovado que esse tipo de gordura contribui para o aumento abdominal.

* Móveis da loja Lar Shopping.

* Reuniões em família... Por causa da correia do dia-a-dia nem sempre nos damos conta da sua importância em nossa vida.

* O filme O Reino.

* Passar manteiga no pão de sal, salpicar orégano, e “fritá-lo”, fazendo a pressão dele (do lado com manteiga) contra o fundo da panela. Se queimar um pouquinho (um pouquinho!!!!!) fica ainda mais gostoso. Para acompanhar, fatias cruas de tomate.

* Amarula (licor).

* Tirar de casa tudo aquilo que você sempre diz que um dia será útil e que no fundo você sabe que nunca vai usar.



10 Junho, 2008

O Observador


Na entoca dos seus pensamentos, parece ser quieto demais. E só ele sabe que dentro dele fervilha um mundo de idéias e emoções, todas frutos da observação. O observador aprende muito sozinho, e também escapa de muitas armadilhas. Acaba apurando uma sensibilidade especial, a arte de “pegar as coisas no ar”. Pode parecer desconfiado, mas é, antes de tudo, um leitor de entrelinhas, um tradutor de gestos, um ser que não contém em si o tanto que consegue descobrir.

E tudo somado dentro do observador vira um universo de palavras que precisa ser extravasado. Daí vem o olhar sincero, o ato e a reação autêntica, e a frase que não se cala por nem mais um segundo. E, de repente, quem o julga quieto demais pode ver que por trás de um sorriso sempre simpático, e até tímido, existe um alguém cheio de atitude, humor e energia. Um alguém que tem muito a dizer, que dá gargalhadas, que é capaz de passar horas dançando, que adora conversar, e conversar muito! O observador se espalha, mas na hora certa. O observador surpreende, porque não restringe a sua personalidade à “parlação” e, sobretudo, porque não é refém do “querer parecer”.


Ingrid Dragone, uma observadora.

30 Maio, 2008

Apenas Um Olhar

Há momentos em que precisamos de um olhar, apenas um olhar para fazer o coração não temer os próprios riscos. Aquele olhar puro, porém intenso. Aquele que fala da alma de quem olha e pra alma de quem o recebe. Aquele que é tudo, porque é no que pensamos desde que colocamos os pés no chão pela manhã. O olhar que leva a doce sensação do entardecer e sua brisa ao nosso cansaço. O olhar que dispensa quaisquer palavras de poesia. Que vale uma imensidão por fazer com que esqueçamos do mundo. O olhar que habita os versos tecidos pelo nosso íntimo. O olhar que enche de festa e liras esse íntimo. Que nunca desagrada, porque é lindo em paz. Que marca, porque tem o dom de abraçar o nosso pensamento mais angustiado. O olhar que aceita a nossa tristeza e a devolve transformada na beleza de todas as rosas. O olhar que também sabe brindar, e brinda com taças de estrelas a felicidade que nos move. O olhar que não se basta no instante em que olha, e que inspira mais vida em nossa vida. O olhar do amor que ama. Do amor amado. Infinitamente...




Ingrid Dragone

28 Maio, 2008

Recomendo – parte 8

* O filme O último Rei da Escócia.

* Para quem procura uma boa comida em praça de alimentação de shopping, o Medalhão à Napoleon do restaurante Napoleão Bonaparte (Iguatemi/Barra e Salvador).

* O licor de chocolate Amanda.

* A música You Give Me Something (James Morrison). Viciante!

* Fazer de cada dia o “dia dos namorados”.

* Sabonete líquido Sedução do Chocolate (linha Lux Shower).

* Pastel de camarão do Beach Stop (Salvador Shopping). Vem realmente cheeeeeeeeeio de camarão. Só tome cuidado para o caldo não escorrer.

* Jantar do restaurante Salvador Dali (Rio Vermelho).

* Salgados do Fran’s Café (Caminho das Árvores).

* Alongamento. Principalmente para os que trabalham na frente do computador durante horas.


27 Maio, 2008

Diferentes essas japonesas!!!

Eu não sabia. E tinha feito dele o melhor de todos. À mão, ou melhor, nos pés em momentos de descanso, descontração. Aquele par de chinelos pretos foi a minha melhor aquisição em termos de sandálias “japonesas” até então...



De repente, alguém me pede para prestar atenção, olhar para baixo e notar uma diferença. Olho, e nada vejo. Nada.


- Qual o problema com elas?

- Uma é maior que a outra! Você não reparou?

- Não! Você não sabe que todo mundo tem um pé maior que o outro?

- Nossa! Você acha que o problema é com o seu pé e não com elas? Sério?

- Você também tem um pé maior que o outro, sabia?


Diante dos risos resolvi fazer a medição. Juntei o par. Constatei: a diferença era grande. Como nunca tinha visto aquilo? Um pé deve ter dois números a mais. Eu? Logo eu! Extremamente atenta, detalhista... Como retirei o artigo da loja sem estar atenta a algo tão importante? Já uso as sandálias há três meses!


Toda vez que olho para o par de "alpercatas" (como diz meu pai) acho graça. Conhecendo a diferença entre elas não posso acreditar que não havia me dado conta. O piso da minha casa é predominantemente branco. Aquelas sandálias pretas saltam aos olhos quando descansam sobre a cerâmica. Assim, a diferença também deveria ter saltado.


Fiquei surpresa com a descoberta, e mais surpresa ainda com o fato dessa diferença não me incomodar. Penso: não percebi, muita gente não percebeu e nem vai perceber. Continuo usando. Confortáveis...



Ingrid Dragone

22 Maio, 2008

Feriado?

Hoje é feriado... mas... Casas desabam. Chuvas derrubam barracos. Avião some. Banco é assaltado. O artista chega à cidade. O político responde por corrupção. Traficantes são presos. Ladrões fogem da cadeia. Policiais prendem. Policiais matam. Pessoas morrem na porta dos hospitais. Trabalhadores fazem greve. Criança morre de dengue. Moradores da periferia fazem protestos. As ruas estão esburacadas. Os cães infestam a praia. A árvore cai no meio da rua. O acidente de trânsito mata. Homem assassina a namorada. Menores se prostituem. Cidadão morre atropelado. Corpo é encontrado. Eu, jornalista, trabalho.

20 Maio, 2008

Imaginação



Navego um sonho

Sem velas

Sem bússolas ou setas

Na imensidão


Zarpando

Sem âncoras certas

Nas ilhas desertas

Da imaginação


Buscando as coisas

Repletas

De tantas quimeras,

Do ser ilusão


Formada que sou

Arquiteta

De tantas janelas

Pro meu coração


Pintando com letras

Mil telas

Imagens eternas

Fascínio, paixão


O pulso me faz

Inquieta

Na noite desperta

Minha inspiração


São versos

Que tecem os poetas

Prendidos nas celas

Da escuridão





Ingrid Dragone

19 Maio, 2008

Recomendo – parte 7


* Filé com fritas e arroz à grega da Torre Churrascaria (Lauro de Freitas). O garçom cortou a carne com duas colheres!!!


* Rir com as etapas eliminatórias do programa Ídolos (Rede Record). A galera pensa realmente que sabe cantar!


* Bolsas da Mônica Sanches (Salvador Shopping).


* Presentes da Trudys bijouterias.


* Almoço no restaurante por quilo Il Polo (Shopping Iguatemi).


* Para dores de barriga perigosas: Elixir Paregórico. Artigo indispensável em mala de viagem.


* Em tempos de dengue: repelente aerosol Autan (Bayer).


* Sabonete facial da linha Pure Zone (Loreal).


* Show da banda de forró Xaranga Véa.


* Ter sempre uma pastilha ou bala de hortelã à mão. Você poderá, por acaso, encontrar alguém especial depois de ter comido cebola ou camarão.



18 Maio, 2008

Dominós

De repente você percebe que falta quase nada. Você tem saúde, casa, comida, carro, instrução, trabalho, lazer, e pessoas boas fazendo parte da sua história. Portanto, tem também a obrigação de sempre merecer tudo isso, agradecendo e empreendendo esforço, responsabilidade e amor.


Cada segundo é digno do seu melhor. Você sabe – porque provavelmente escuta desde criança – que deve fazer de cada dia um novo degrau para chegar onde deseja. Esse é o pensamento do presente como “o” presente, pleno e vivido, e não o pensamento que resume a vida ao que está por vir. Por isso, queira agora! Ame agora! Realize agora!


Cada segundo é digno do seu melhor. Não deixe que a briga se estenda. Não deixe a torneira pingando. O carinho sem retorno. A dúvida sem resposta. Não deixe que a fruta apodreça. Não deixe o poema sem papel. Não se deixe para depois. Se você empurra a primeira peça de dominós enfileirados...


Ingrid Dragone

12 Maio, 2008

Cinco Minutinhos

Hoje, quando voltava para casa, após um expediente bem agitado, senti certa irritação por causa de um carro de auto-escola que provocava a lentidão do trânsito (três veículos à frente do meu). Eu estava com muita vontade de chegar porque precisava almoçar e resolver umas pendências para sair novamente.


O maldito automóvel vermelho com uma larga faixa amarela nas laterais era o grande problema da minha vida naquele momento. Fiquei sem paciência. Sem um pingo dela. Até buzinei. Depois achei o meu comportamento ridículo. Realmente ridículo! Eu nasci dirigindo? Aliás, eu nasci sabendo fazer o que mesmo? Quantas coisas ainda devo aprender?


Por que as pessoas não entendem que precisam ser mais tolerantes, calmas e, até mesmo, solidárias? Se aquele cidadão andava devagar é porque, certamente, estava inseguro, tinha receio de errar. Nunca vivi aquele sentimento que ele vivia? E será que cinco minutinhos a mais na pista iriam verdadeiramente fazer alguma diferença para mim e os meus compromissos?


Espero, francamente, não receber buzinadas como aquela diante dos próximos desafios da minha vida pessoal e profissional. E olha que o trajeto ainda é longo, muito mais do que o trechinho que separava o meu estômago do prato de comida.



Ingrid Dragone

09 Maio, 2008

Mãe


Cuida que reges a vida

Pois tens o dom de carregá-la no ventre

E à dor do parto, nada é semelhante

Perante o mundo, absoluta; incomparável instante


Vê que és a força humana que não finda

De luta e paixão

Pois, mais que a si própria, a cria é bem querida


Crê que teus dogmas, mesmo quando errantes

Valem pela intenção do proteger

E que tua virtude de anjo zelador

Faz dos filhos a razão do viver


Suporta as dores, tuas e dos teus...

Que por vezes és tão serena, pareces santa

Que por vezes és tão ingênua, pareces criança

Fecha os olhos, não enxerga, perdoa


Sente que rebentas a luz do futuro

Cada gesto, palavra, carinho

Serás sempre suprema e eterna

Ao seu ninho


Possuidora de óbvio esplendor

Percebe que és em essência,

A natureza que supera os limites do amor





Ingrid Dragone

02 Maio, 2008

Recomendo - parte 6

* Sorvete no Chalezinho, à tarde.

* Pizzaria Torre de Pizza.

* Forró no bar Rock it.

* O filme Crash – no limite.

* Roska de umbu do Cocobahia.

* Bar e restaurante Novo México (Barra).

* Salvar os arquivos de trabalho em pendrives, cds...

* Waffle do Fran’s Café.

* A música Canções de Rei de Max Viana.

* Massoterapia, principalmente após expediente.

30 Abril, 2008

On/off

O povo está carente demais, e como não encontra no poder público, nas ações de quem ajudou a eleger, a resolução para os seus problemas, acaba recorrendo aos meios de comunicação. As pessoas fazem denúncias e sugerem matérias às emissoras porque querem ver os buracos das suas ruas tapados, os esgotos fechados, os postos de saúde funcionando, os professores nas salas de aula.

É triste. E nós, jornalistas, fazemos o que está ao nosso alcance, porque não há equipes de reportagem e nem tempo suficiente para estar em todos os pontos da cidade, para fazer a cobertura de tudo o que aflige a população.

Depois do grande esforço em busca da notícia, para a seleção do que deve ser levado ao público, na tentativa de ajudar com os recursos de que dispomos, ouvimos muitos desaforos. As pessoas ligam dizendo que estamos burocratizando, dificultando a divulgação das suas reclamações. Sofre o povo. Sofremos nós.

Acho que pensam que somos aparelhinhos, que temos on/off acoplado. Esquecem que somos humanos. E nós não podemos esquecer que os que nos ligam fazem parte da nossa audiência.




Ingrid Dragone

23 Abril, 2008

Assassinos e Cínicos


Que homem não estaria aproveitando as câmeras para pedir justiça, para pedir que encontrem o assassino da sua filha? O culpado, óbvio. Está na cara desde o início. Mesmo com o alvoroço da mídia em torno do caso brutal, Alexandre Nardoni não se valeu da imprensa para pedir a elucidação do crime. Sempre esteve distante, afinal, quem deve, teme... Houve, sim, um tempo depois a divulgação de um par de cartas, “montadas”, feitas por ele e pela também desprezível Ana Carolina Jatobá. O mesmo tipo de papel. O mesmo final (“A verdade prevalecerá”). O mesmo cinismo.

E por falar em cinismo, o que foi aquela entrevista que tiveram a indecência de ceder ao Fantástico? Nitidamente orientados pelo advogado de defesa, usaram os seguintes argumentos: Isabela era muito boazinha e alegre; tudo que o casal fazia pelos filhos também fazia por Isabela; Ninguém conhece a família deles para julgá-los. A quem eles achavam que poderiam convencer? Tinham a intenção de repetir aquilo tudo até que a imagem da "casinha feliz" se tornasse uma verdade? O lamentável teatro só inflamou a indignação de quem quer vê-los atrás das grades.


O pai: frieza. A cada falta de palavra, um “Isso não existe” ou um “não dá pra entender”. O olhar desencorajado, vagando em busca das respostas menos comprometedoras. Os sorrisos forjados, sugerindo um sentimento provocado pelas doces lembranças da filha. E a madrasta? Aquele choro? Lágrimas de quem se arrependeu por ter acabado com a própria vida. Lágrimas de desespero, de quem já sentiu um pouco do que é estar numa cadeia, do que é pagar pelo mal cometido.


Interromperam a trajetória de um anjo, que não teve como se defender, que nem soube por que estava sendo vítima de tamanha violência. A triste história está dando mais audiência do que as novelas. Cada capítulo da investigação sobre a morte de Isabela é acompanhado por milhões de espectadores diariamente. O seu nome está nos bares, nos escritórios, nas ruas, em muitos textos como o meu... A alma da pequena Isabela ainda não teve tempo para descansar. E quem descansará enquanto não houver punição?




Ingrid Dragone

16 Abril, 2008

Recomendo - parte 5

* Pizzaria Gato Xadrez (Parque Costa Azul).

* Chopp de Vinho.

* Salmão grelhado com molho de maracujá do restaurante Barbacoa.

* O filme O Labirinto do Fauno.

* Show da banda Labirinto (pop rock), aos sábados no Caranguejo de Sergipe da Pituba.

* A guloseima Raffaello by Ferrero.

* Sapatos da Via Uno.

* Sanduíche de Frango Teriaki da Subway.

* Chá gelado de limão da Nestea.

* Seriado Prison Break.

10 Abril, 2008

Salvador está doente


A violência em Salvador está pior do que eu imaginava. Aliás, está pior do que todo mundo pensa. Vejo muitas pessoas criticando os meios de comunicação, “cheios de sangue e crimes”, mas afirmo que eles não refletem um quinto das denúncias que nós, os jornalistas, recebemos diariamente. Trabalho na redação de uma emissora de grande porte e atendo incontáveis ligações de pessoas, dos mais diversos pontos da cidade, avisando sobre corpos abandonados, tiroteios e assaltos, gente sendo assassinada por nada, a toda hora.


Ingênuo é aquele que se deleita com os cartões postais, acreditando ainda que em alguma rua, bairro ou avenida é possível andar tranqüilo. A capital baiana padece de uma doença muito grave e a cura está muito longe de ser encontrada. O poder público não pode ter controle sobre tanta miséria. Como diz um tio meu: “Às vezes estamos na sala da nossa casa e não sabemos o que ocorre na cozinha”. E, obviamente, o desvio de verbas do dinheiro público, nosso dinheiro, pelos políticos tem relação direta com o caos que se instalou na cidade.


Sei que não estou contando uma novidade. Só preciso desabafar, falar do meu espanto, de o quanto vivemos sem noção do que acontece. A pior parte da história toda é que a visão que a sociedade tem disso tudo vai sendo banalizada. Um corpo sem identificação, largado numa escada, num matagal, num rio, é apenas mais um corpo e vira pauta para os jornais.




Ingrid Dragone

08 Abril, 2008

Baixinha com Orgulho


Em 1954 a baiana Martha Rocha teria perdido o título de Miss Universo por causa de duas insignificantes polegadas a mais nos quadris. Essa é uma lamentável história de medidas sem importância, assim como a minha mais recente descoberta. Estive fazendo exames de rotina na semana passada e soube que há muitos anos estive enganada quanto à minha altura. Tenho 1,57 m, e não 1,58 m. Baixinha com atestado médico e tudo!E daí? Em nada isso me incomoda ou atrapalha. Muito pelo contrário.

Baixinhas podem namorar baixos e altos (estes dizem que baixinhas são portáteis, podem ser levadas no colo, nos ombros, nas costas). Baixinhas podem abusar do salto alto, pois, de modo geral, não ficam maiores que os homens. Eu, particularmente, uso porque acho mais elegante/bonito e não por qualquer complexo. Baixinhas que dançam, como eu, sempre ficam na frente das coreografias e são facilmente carregadas por seus parceiros. Baixinhas, muitas vezes, são mais femininas. Baixinhas escapam facilmente de locais apertados. Baixinhas ganham apelidos carinhosos como “minha pequena” (o meu, por acaso).

Definitivamente eu gosto de ser baixinha. Que venerem o estereótipo da mulher alta, ditado pelo mundo das celebridades e da moda... Não tenho e nunca tive problemas com a minha estatura. Por que altura tem de ser sinônimo de beleza? Meu único problema é ter de mandar fazer a bainha das calças.

Ingrid Dragone

01 Abril, 2008

Sem hashi

* Matéria que escrevi para a revista Bahia Chef (março/abril)




A culinária japonesa vem conquistando cada vez mais espaço na preferência dos baianos. Leve, saudável e nutritiva, a especialidade agrada ao paladar e atrai pelo visual harmônico dos ingredientes. Além disso, apreciar esse tipo de comida é render-se a pequenos rituais, que levam a uma degustação mais apurada dos alimentos. Mas se o admirador da comida japonesa é alguém em busca de praticidade e rapidez, o temaki é a sua opção no menu.


Trata-se de um sushi maior, em forma de cone, comido com as mãos. Nas receitas “autênticas”, é envolto em folha de nori (alga desidratada), tem recheio de gohan (arroz para sushi), especiarias, e algum tipo de peixe cru, a exemplo de atum e salmão. E enquanto comer devagar pode ser considerada uma das principais dicas quando o assunto é um prato japonês, no caso do temaki a sugestão não se aplica. O seu consumo deve ser imediato, para que a folha que o envolve ainda esteja crocante e rígida o suficiente para segurar o recheio - após cerca de cinco minutos a alga começa a ficar umedecida pelo contato com o arroz.


Todo esse despojamento faz do temaki uma espécie de fast food da cozinha nipônica. Tradicionalmente preparado em casa por famílias japonesas, tornou-se uma febre nas grandes e agitadas cidades do mundo. E como qualquer mania gastronômica de caráter cosmopolita, a iguaria vem sendo reinventada.


Os cardápios das temakerias dispõem dos mais variados sabores, recheios salgados e doces, para todos os gostos. Camarão, polvo, enguia defumada, anchova negra grelhada, tomate seco, e até morango e brigadeiro são algumas das propostas.


Para o sushiman Adelson Satiro, há nove anos no restaurante Aice Zushi, apresentar novidades aos clientes é sempre importante. Pensando nisso, criou um tipo de temaki ao trocar a folha de nori pela massa harumaki (feita de água, sal e farinha de trigo), normalmente usada para fazer rolinhos e pastéis das culinárias japonesa e chinesa. “Frita ou maçaricada, ela fica interessante no temaki porque é bem crocante, guardando com mais firmeza o recheio, que preferencialmente pode ser de salmão grelhado ou shimeji (espécie de cogumelo japonês)”, explica.


E para estimular nos leitores da revista Bahia Chef a vontade de experimentar um delicioso cone de sushi, Adelson indica umas das receitas de sucesso da casa: temaki de salmão e ovas de massago.




Temaki de salmão e ovas de massago

Ingredientes do temaki

(para um cone)

1/2 folha de nori

100 gramas de arroz para sushi (previamente cozido e *temperado)

100 gramas de salmão cru

5 gramas de cream cheese

1 colher de café de ovas de massago

Cebolinha


Modo de preparo

Faça primeiro o recheio. Corte o salmão em cubinhos. Junte-o à cebolinha picada, ao cream cheese e às ovas, fazendo uma espécie de patê, amassado com as mãos. Reserve. Pegue ½ folha de nori. A parte fosca receberá o recheio. Segure-a na palma da mão no sentido do comprimento. Coloque o arroz no meio da alga. Distribua-o uniformemente. Coloque o recheio em cima do arroz, na diagonal. Enrole a folha como um cone, no formato de um cascalho de sorvete. Pronto. Sirva imediatamente com molho shoyu.


* Tempero do arroz

(para 100 gramas)

1 xícara de vinagre de arroz
50 gramas de açúcar

20 ml de sakê de cozinha

1 pitada de sal

1 pitada de ajinomoto


Modo de preparo

Cozinhe o arroz apenas com água. Junte os ingredientes do tempero em um recipiente e aqueça-os até ferver. Depois tempere o arroz cozido.




Ingrid Dragone

26 Março, 2008

Depois da festa


Eu quase não podia pensar em nada. O lápis preto, que outrora tão perfeitamente delineava os meus olhos, já acentuava as olheiras. Minhas costas ardiam, eu não conseguia mudar de posição, e a dor até que me caia bem. Eu estava a mais humana das humanas. Sentada com os pés descalços e no chão. Os cabelos, suados. A cabeça, naquela boca... A cabeça, naquela boca, na boca, que boca, a boca, aquela boca, a boca, a boca, que boca, a boca, aquela boca... Amanhece o dia.



Ingrid Dragone

14 Março, 2008

O diálogo mais ao pé da letra do mundo


Luiza chega toda animada para contar “o babado” para Clarisse.


- Menina! Nem te conto!

- Então, não conte...

- É sério! Você não sabe o que aconteceu!

- Como irei saber? Você não me contou e nem quer contar!

- Hiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiii!!! Chata você! Meu nome é tchau!

- Não é não, hein?




Ingrid Dragone

13 Março, 2008

Festas Fake


Às vezes, devido à profissão, preciso freqüentar festas fake, ou seja, festas em que “imagem é tudo”. Nesses ambientes, definitivamente, as pessoas não pensam em diversão. O objetivo é fazer “um social”, mostrando o quanto podem pagar por um carro, uma roupa, bolsa ou jóia de grife.


Cada grupo de convidados em sua mesa. Risos contidos. Colares reluzentes. Gravatas importadas e impecavelmente colocadas sobre ternos alinhadíssimos. E não sei pra quê tanto perfume... Aliás, talvez a dose tenha de ser um tanto exagerada, afinal, ninguém se encosta e, assim, o cheiro da frangrância francesa é sentindo à distância.


É... As pessoas praticamente não se falam. Os cumprimentos são gelados... Aqueles dois beijinhos de sempre nem acontecem com o encostar dos rostos, simplesmente acontecem no ar, acompanhados de um "oi querida". E os tapinhas nas costas? Servem mais para que os anéis sejam exibidos do que para realmente manifestar alegria pela presença do outro.


E também fico me perguntando... Por que ninguém come? Comer não deve ser chique... Pois os garçons passam com as bandejas cheias e voltam... com as bandejas cheias!!! Ah! Ninguém dança. Lógico. Não deve ser chique dançar. Nem digo que seja para que os penteados não se desmanchem. É tanto laquê que nem um tsunami derruba os topetes e as contorcidas arrumações finalizadas com enfeites de strass.


É bem verdade que não tenho nada contra um black tie, muito pelo contrário. Contudo, sei que chique mesmo é saber que festa é para festejar. Parece óbvio, mas muita gente esqueceu disso faz tempo. Lamentável. Não há nada mais chato do que ter todas as possibilidades para uma grande celebração e estar entre manequins de vitrine.




Ingrid Dragone

12 Março, 2008

Gracinhas Cotidianas 2


Um conhecido de um amigo meu estava no ponto de ônibus quando ouviu a seguinte conversa entre duas mulheres:

- O certo é falar probrema ou pobrema?

- Depende.

- Depende de quê?

- Pobrema é quando é dos outros. E probrema é quando é nosso.

- Ah! Tá! Entendi agora.



Gente, é verdade!!! Acreditem!

09 Março, 2008

Recomendo – parte 4


  • Bombom com recheio de cupuaçu.
  • Promoção da Mitchell.
  • Espinheira Divina (ou santa) para quem abusa do garfo e às vezes sente enjôo ou dor de cabeça. O remédio é amargo que só, mas é tiro e queda.
  • Para quem gosta de hip hop, aulas de dança com o professor Zig (da academia Palco 4 – Caminho das Árvores).
  • Bolsas da Comparatto.
  • Para os românticos, a música Everything (Michael Bublè).
  • O filme Diamante de Sangue (direção: Edward Zwick).
  • Artigos de dança (sapatos, bolsas, roupas...) da Capézio.
  • Jantar no restaurante Amado (www.amadobahia.com.br).
  • Instalação do Skype no computador. Trata-se de um software que permite comunicação grátis pela internet através de conexões sobre VoIP (Voz Sobre IP).

04 Março, 2008

Fashion até demais


Hoje estive no shopping para aproveitar a famosa liquidação anual, da qual os lojistas se valem para vender todo o exagerado estoque de roupas do verão. Confesso: fiquei um tanto agoniada. Não porque houvesse muita gente transitando pelos corredores ou porque as promoções não estivessem boas. O que me irritou foi a quantidade de peças parecidas, padronizadas. Por que as pessoas precisam vestir os mesmos tipos de artigos? Cores, estampas, modelos... Previsíveis. Preestabelecidos.


A moda está realmente massificada. Antes, o acesso ao que estava nas passarelas era restrito a quem tinha dinheiro e disposição para gastá-lo com isso. Agora, vivemos um outro extremo. As tendências apresentadas pela top model mais bem paga do mundo, num desfile pra lá de importante, estão em todas as esquinas, em qualquer loja de bairro. Não critico essa facilidade, mas a “democracia” que tem feito com que as pessoas percam a originalidade e passem a usar o que todo mundo usa. Critico a “democracia” que impõe a roupa que “deve” ser comprada, que vai transformar uma pessoa “comum” numa pessoa “fashion” e, consequentemente, aceita socialmente.


Não vou aqui ser hipócrita, dizer que não gosto do que está na moda. Contudo, procuro ter bom senso e manter o meu estilo, minha personalidade. Recuso-me, por exemplo, a encher meu braço com enormes pulseiras de plástico. Sou mignon – um jeito bonito de dizer “baixinha” – e acessórios como esses chamariam mais atenção do que eu. Além disso, prefiro enfeites mais delicados, acredito que combinam mais comigo. Esse foi só um pequeno comentário, pois não gostaria de alongar a minha opinião a respeito de scarpins amarelo fluorescente, bolsas gigantes ou bolsas verde-bandeira de verniz.


Bem, para resumir a história da liquidação, acabei comprando. Depois de muito pesquisar, enfrentando as araras cheias de peças sempre multicoloridas e excessivamente brilhosas, levei duas blusas: bonitas, afinadas com o que eu realmente gosto, e “atemporais”.



Ingrid Dragone

26 Fevereiro, 2008

Fim do Mundo


Noite alta e serena. Grilos ao fundo. Terra parada. Paradona. Na rede gasta pelo tempo, o matuto. Na cadeira já bamba, o amigo.


- Ô Pedro!

- Vai dizeno...

- Cê num tem medo desse mundo acabá não?

- Passô.

- E a bíblia?

- Caducô.

- Como assim home? O padre tamém falou!

- Pecô.

- Cê é ateu?

- Ferrô...

- Tá com preguiça de prosá, é?

- Acertô.

- Já vou entrá. A resposta não tá rendeno...

- Demorô.

- Arre! Que home descompreendido!

- Piorô...


O amigo aborrecido, sem mais a dizer, jogou uma das mãos para trás num gesto de quem desiste. E quando o som da sua alpercata ia longe, Pedro desatou sozinho:


- Home-espinho miserávi. Vê o cabra na rede, pensano na vida, todo sartisfeitu nesse balançá bom, e vem com história de mundo se acabá. Que se acabe. E que vá junto com essa palavra besta. Eu acho é mermo que o mundo já se foi. Os home tá tudo no inferno e ainda num percebero... E há de havê coisa mais chata que uma criatura de Deus que escolhe a meia-noite pra falá disso? E ainda quano vê o amigo na rede, acabado do dia de enxada e sol nos miolo?


Pedro puxa o chapéu frouxo de palha para cima dos olhos cansados, pensando no cobrir do sono. O sonho vai chegando, mas vagarosamente ele sente a rede se abrindo, com ruídos de um rasgo chato que termina com o seu traseiro encostando no chão de terra molhada.


- Arre!!! Agora é que se acaba o mundo! Sem essa rede num resta mais é nada! Mundo do cão! Que se esvazie que nem puêra! E nem tem dinheiro pra comprá outra rede esse mês... E nem tem água agora pra lavá a bunda! Fim do mundo! Desgrama! Fim do mundo!



Ingrid Dragone

25 Fevereiro, 2008

3º Motivo do Beijo


Tua boca de pétala

Furta-me a alma

Sem cuidado

Sem calma,

Tua boca, meu carma

E farei por fim um poema

De pétala na pétala




Ingrid Dragone

22 Fevereiro, 2008

Mágica


Mágica

Doce mágica

Inacreditável mágica

Corpos combinados

Passos, olhos, mãos, sentidos...

A música

Passos, palavras, sorrisos, sentidos...

A música

Corpos sempre combinados

Irretocáveis gestos

Irretocável sinergia

Mágica

Beijo

Paixão

Inevitável...




Ingrid Dragone

19 Fevereiro, 2008

Hoje é meu aniversário!!!



Se hoje sou o que sou é porque sempre tive e tenho uma família de verdade, pais virtuosos e irmãs presentes. É também porque tenho contado com pessoas especiais. É por causa dos meus amigos, que são uns anjos, e por todos aqueles que cruzam o meu caminho para me fazer feliz, para me ajudar, confiando em mim, para comemorar meus sucessos junto comigo e me abraçar quando preciso de apoio.





Se hoje sou o que sou é porque dei valor a todas as palavras sábias e boas que me disseram. É porque tenho tentado seguir sempre o que Deus quer. É porque tenho tentado plantar sempre a bondade em minha trajetória.









Hoje é meu aniversário e não quero pedir nada, só agradecer. Meu caminho é lindo. E tudo foi preparado com muito carinho. Se o mundo sorri para mim, eu só agradeço. E em troca, sorrio e tento fazer o meu melhor, sempre!!!




Hoje eu quero agradecer pelo amor de quem está perto. Pelo amor de quem está longe, mas está perto. Pelo amor de quem está longe, mas não em pensamento.


Obrigada a todos! Obrigada meu Deus!




Se hoje sou essa “menina-mulher”, com tantas histórias maravilhosas para contar, com tantas felicidades vividas, com tanta luz e conquistas, só posso mesmo agradecer.

E claro, vou comemorar!!! Afinal, a alegria vive em meu coração!!!

Feliz aniversário para mim!



18 Fevereiro, 2008

Outro

15 Fevereiro, 2008

Mais um quadro meu

14 Fevereiro, 2008

Valentine’s Day!!!


Hoje o dia dos namorados é comemorado em vários países. Eu, que sou uma romântica assumida, não poderia deixar passar essa!!! Então, venho falar das tantas coisas maravilhosas que um namoro feliz proporciona!!!


É muito bom namorar porque:


  1. Você tem para quem ligar durante a madrugada.

  1. Você tem alguém não só para passear e conversar, mas para ficar abraçadinho e andar de mãos dadas.

  1. Você tem com quem dançar na hora em aquela música linda tocar.

  1. Você vai criar juntamente com ele (a) pequenos códigos e apelidos carinhosos que só vocês entendem. E com isso vão se divertir muito.

  1. Você estará de bom humor com mais freqüência.

  1. Você tem com quem fazer as pazes (e depois sempre vem muito chamego, ou seja, a melhor parte).

  1. Você vai gastar seu dinheiro, mas sem pena! Porque vai querer agradar com presentinhos e surpresas. E a recompensa normalmente é fantástica!

  1. Você pode descobrir que a família dele (a) também te acha muito legal, e aí estará ganhando mais uma família.

  1. Você tem para quem dizer todas aquelas coisas melosas e boas de se dizer.

  1. Você tem alguém que torna o "dvd com pipoca" o programa mais incrível do mundo!

  1. Você tem motivação para estar cada vez melhor – em todos os aspectos.

  1. Você sente saudade, mas a saudade boa de ser sentida.

  1. Você tem alguém para compartilhar os seus desejos, alegrias, planos e angústias.

  1. Você não vai sentir solidão. Mesmo que não possa ver o seu par com a freqüência que gostaria, sabe que tem ele (a) estará pensando em você com carinho.

  1. Você pode estar com cara amassada de sono e ele (a) vai te adorar do mesmo jeito.

  1. Você vai ter sempre do que se lembrar e ficar sonhando e rindo sozinho (a).

  1. Enfim, você sempre vai achar a vida muito mais bonita!!!






Ingrid Dragone

13 Fevereiro, 2008

Pulso Leve

“A rotina diária nos dá a falsa sensação de segurança”. Essa foi uma das constatações mais interessantes que ouvi ultimamente... Vamos de casa para o trabalho, para o mercado, para um curso e voltamos. Achamos que nada vai nos acontecer. O percurso é o mesmo. O horário é o mesmo. A forma de deslocamento é a mesma. Não estamos preparados para o inesperado, e ele pode estar na esquina de todos os dias, aguardando o nosso próximo passo, uma distração.


Claro que não podemos viver na paranóia, até porque pensamento negativo atrai acontecimentos negativos, mas temos mesmo que acreditar: Deus é a força que nos protege. Não há mais nada além disso. Nas ruas estamos expostos, somos frágeis. Na hora de sair, rezar e ter mais atenção. Quem olha por nós? Há milhares de pessoas nas avenidas, nos passeios, nos edifícios. Cada um cuidando da sua bolsa, da sua carteira, da sua vida. Qualquer pessoa pode ser vítima.


Recentemente fui assaltada na porta de casa. Poucas semanas depois estava num mercado grande da cidade, quando vi uma mulher desesperada alegando o roubo do seu carro ao funcionário do estabelecimento. Ela estacionou o veículo para fazer compras e em menos de meia hora encontrou a vaga vazia. Antes, ali, havia um bem, algo que ela comprou e que tinha uma razão e uma história, algo que era dela, propriedade particular. Aquela senhora saiu para comprar cebolas e voltaria para casa com um problema, uma grande dor de cabeça. Ninguém viu, ninguém fez nada, ninguém foi pego. Até então, para ela, aquele era um dia comum, uma folha do calendário.


Calendário. O passar das horas. Horas... Desde que roubaram o relógio mais caro que eu tinha meu pulso anda leve. Não estou sentindo vontade de usar qualquer um deles. Eu fico pensando: não devemos usar o relógio para evitar o prejuízo, ou devemos usar para o ladrão ter o que levar em troca de não nos machucar?


Lamentável. Criamos um mundo difícil de se viver. A liberdade é uma ilusão. Grades, cadeados, portões, câmeras, guaritas, alarmes, seguros, seguranças armados, cão de guarda, pega-ladrão, vidros blindados, vidros nos muros, cercas elétricas, correntes... Uma parafernália para proteger o homem de outro homem! Oremos! Sempre! Que a demanda de Deus é grande...




Ingrid Dragone

12 Fevereiro, 2008

O dionisíaco e o apolíneo no processo de construção da poesia




Nenhum poeta deve se autodenominar dionisíaco ou apolíneo. O processo criador acopla as duas porções: o irracional e o racional; o possesso e o artífice; o devir-louco e a perfeição. Cada poeta pode, sim, ser mais inclinado para uma dessas metades, mas estar completamente ou somente inserido em um dos extremos é impossível.


O poeta que se considera dionisíaco, defende incontestavelmente a existência da inspiração como um poder externo, uma força surgida de um momento de êxtase, que o obriga a escrever de maneira inevitável. Entende-se, assim, que o texto chega pronto e o poeta apenas exerce a função de passá-lo para o papel, como se fosse um mero instrumento de um poder revelador.


Este mito do poeta possesso, possuidor de um dom divino, considerado um ser especial, um ser de aura, vem se extinguindo. Sabe-se que o ato de escrever não abarca somente um “trabalho quase mediúnico”, fruto do subconsciente, talvez. Há ainda a parte mais objetiva – as pilastras da poesia –, o momento em que o autor escolhe as palavras ideais, corta o que é sobra, estuda as rimas, a forma...


Aceita-se a existência de um impulso lançando o contorno, o esboço, uma idéia de poesia, e também o fato de que determinados lugares e horas causam mais inspiração para aquele que escreve. Contudo, não se pode deixar de reconhecer o trabalho “braçal” da criação, no qual o acabamento é buscado. Este último passo é a porção apolínea, a qual faz do poeta um arquiteto das palavras, um escultor dedicado, um ourives, preocupado com os detalhes e a métrica, com a parte mais concreta da obra: a estética.


O talento para escrever deve ser conseqüência de uma sensibilidade. Quem escreve poesias tem a capacidade de captar o mundo e sabe depois, através da sua inteligência, transformá-lo em imagens e combinações de palavras exatas, insubstituíveis.


Freud explica que o talento para escrever é conseqüência de um trauma, relacionando a arte com a loucura. Será que o poeta não é o mais lúcido dos seres? Já Fernando Pessoa diz que “o poeta é um fingidor”, podendo assumir outras personalidades e expressar sentimentos que na verdade não sente. Será que não sente?




Por Ingrid Dragone

11 Fevereiro, 2008

Peixinho



Peixinho faz glub para mim,

O imitei na frente do espelho,

Um bico puxado nas laterais,

Seus espasmos e beijos sem som,

E pensando bem

Bom peixinho fui

Na época do ventre,

E agora me dá um medão

Esse mar de gente e troços

Chamado cidade...





Ingrid Dragone

10 Fevereiro, 2008

Mais um quadro meu

07 Fevereiro, 2008

Coisas simples e boas...



Dormir e acordar com um sentimento profundo de paz e felicidade.


Encontrar sempre um belo café da manhã, almoço ou jantar à espera. E o melhor: à mesa, somente pessoas boas, de bom coração, de boa energia.


Tomar banho de piscina. A água quentinha. O coração também.


Tomar banho de rio. Sentir a correnteza forte nos ombros, nas costas. E rir do desequilíbrio causado pelo limo ao longo do caminho.


Comer a fruta tirada do pé. Manga, umbu doce...


Andar pelas ruas de mãos dadas, sem nada temer.


Ir à praça para comer pastel e tomar sorvete.


Aprender a atirar. E acertar! De primeira! Descobrir que a prática é muito boa, desde que seja em latas e tocos de madeira.


Fazer churrasco no sítio. Ver as estrelas no céu do sítio.


Curtir um bate-papo na área externa da casa.


Rede.


Almofada no chão, salada de fruta (com leite em pó) e filme bom.


Fazer roda de violão. Cantar e dançar. Lembrar de músicas antigas.


Beber uma roska e rir muito, muito, muito, mesmo com tão pouca, quase inexistente, quantia de álcool.


Cochilar à tarde. Aquele sono de quem aproveitou bem o dia.


Receber carinho e atenção. E por tudo isso ser imensamente grata.


Voltar para a capital com vontade de ficar mais...


Esse foi o meu carnaval... Coisas simples e boas da vida...





Ingrid Dragone

01 Fevereiro, 2008

Recomendo – parte 3


  • A revista Bahia Chef – especializada em gastronomia.
  • A maniçoba do bar e restaurante A Venda. O local é bem simples, mas a satisfação é garantida.
  • A música Name (Goo Goo Dolls).
  • As empadas de palmito e de mousse de limão do Empada Brasil.
  • Aulas de marketing com o professor Gustavo Araújo.
  • Show de jazz no MAM – Solar do Unhão.
  • Para os românticos/apaixonados: o filme Ps: eu te amo.
  • Suco de morango do Beach Stop (Salvador Shopping).
  • Aulas de zouk.
  • Show de salsa no bar e restaurante Fuar Fuia.

30 Janeiro, 2008

A Carta de Manoel

Salvador - Bahia - Brasil


Oi amigo Joaquim!


Encontro-me no Brasil há uma semana e muito tenho para te contar sobre as novidades que
nesta terra presencio.


Sendo fevereiro este mês, estou a participar de um evento chamado carnaval; uma festa grandiosa na qual nada se comemora, fato que causou-me estranhamento, pois para realizá-la muito se gasta, e durante uma semana vive-se em função disto.


As ruas são preenchidas por milhões de pessoas, de modo que se olharmos do alto avistamos um enorme formigueiro. A multidão fica a esperar por palcos móveis, os trios elétricos, em cima dos quais bandas de Axé (um ritmo para balançarmos as ancas, coisa que os nativos bem e com facilidade fazem) tocam freneticamente durante horas, e todos põem-se a pular atrás como loucos. E muitas vezes, mesmo tomadas por um entusiasmo incompreensível , as pessoas passam de uma confraternização à uma violência bestial brigando aos socos; comportamento que considero pouco civilizado.


Há trios elétricos que tocam para o “povão” ou “folião-pipoca”, como dizem, e trios rodeados por cordas, para determinada quantidade de gente, dentro das quais usam-se fardas de identificação praticamente tribais, chamadas “abadás”.


As lendas dessas terras contam que o carnaval é uma festa muito democrática, pelo fato de todas as pessoas poderem participar, o que culmina na união de raças e classes. Mas creio que este pensamento é muito primitivo, acho estranha a necessidade de cordas para separar um povo tão confraternizado...


Além disso, nesta festa agarra-se e beija-se com facilidade qualquer pessoa sem ao menos saber o nome. A esse costume, que de acordo com meus valores é uma promiscuidade, dão o nome “ficar”.


Aqui se bebe com freqüência uma água doce extraída de uma fruta que os brasileiros chamam de coco. E mulheres negras, ornadas com muitas pulseiras e colares e vestidas com roupas brancas de renda ( acham que assim estão bem apresentáveis ), muito vendem um bolo chamado acarajé, o qual tem mais ou menos o tamanho e o formato de um hambúrguer. Dentro dele há uma pasta amarela, o “vatapá”. Este alimento muito forte, à base de um fruto dendê, possui um gosto peculiar, e apesar de ter sentido grande desconforto estomacal e intestinal na primeira vez em que o comi, agora muito me agrada e acho que viciei-me: é melhor que bacalhau!


As mulatas, das quais muito ouvimos falar aí em Portugal, são mulheres exuberantes, de bastante e duras carnes que gostam de dançar um ritmo difícil chamado samba (um hábito presente em todos os rituais), e andam praticamente nuas, usando vestimentas mínimas e apertadas, que incrivelmente não incomodam o andar e o sentar, e creio que usam-nas para seduzir os machos (nisso apresentam grande naturalidade), e também porque nesta terra existem muitos mares, e o clima tropical é predominante.


Há aqui a capoeira, uma espécie de luta misturada com dança, praticada em duplas e ao ritmo de um instrumento berimbau, que parece um arco – como o dos índios – com uma cuia colada em baixo, do qual se extrai um som peculiar, e no primeiro momento achei-o feio ou estranho.


As crenças são esquisitas... Aqui se cultua um tal de sincretismo. Já a hospitalidade é boa, os baianos são criaturas gentis, de bom coração, e muitas mulheres já se dispuseram a fazer com que eu me sinta mais acolhido neste paraíso.


Mas de tudo o que meus olhos presenciaram e posso relatar, a alegria que as pessoas exalam neste lugar é o fato que me causa maior maravilhamento. Há pequenos vestidos com trapos, descalços, maltratados, sorrindo e cantando “segure o tchan / amarre o tchan”, e com isso não sei bem o que pretendem dizer. Deve ser algo obsceno, pois dançam este refrão batendo as mãos nas vergonhas!




Bem, por aqui fico.

Lembranças à Maria!

Muito axé!

Manoel




Ingrid Dragone

29 Janeiro, 2008

Definitivamente Resiliente!


A vida é repleta de adversidades. Acontecimentos inesperados... Não há muito o que fazer, por exemplo, quando apontam uma arma em sua direção e te arrancam alguns bens. Fui vítima de um assalto no último sábado. Na porta do meu prédio, às 17h40min. Naquele momento eu era, apenas, mais uma pessoa engrossando os índices de violência das grandes cidades.

Dois homens surgiram. Simplesmente surgiram. Não se sabe de onde. É surreal! No início a ficha não cai. Mas esses caras são realmente bons quando o assunto é fazer pressão psicológica. Logo você percebe que está numa cilada. Eu tremia, mas mantive uma aparente calma. Não gritei. Nem esbocei movimentos bruscos. Entreguei sem resistência tudo o que quiseram, embora tenha pedido duas vezes que deixassem meus documentos. Em vão...

Saí do carro, olhando para trás, temendo o tiro. A sensação é muito ruim. Você é um nada. Um ser totalmente vulnerável. Sem forças. Sem qualquer poder. E assim, em uma tarde muito bonita de sol, vi o carro onde eu estava – com minha bolsa, relógio, celular e objetos de valor sentimental - indo embora, sei lá para que lado. Impotência. A fragilidade da minha existência confirmada da forma mais banal e pelas mãos de dois elementos desconhecidos, encorajados por um revólver, que eu nem sei se realmente continha balas. Não ia pagar para ver...

Tinha platéia. E ninguém podia ter ajudado. Pronto! Assaltada! Não veio a lágrima, mas a consciência, de fato. Era a hora de agir. Subi para providenciar o cancelamento dos cartões de crédito e do número do telefone móvel. O carro, felizmente, está no seguro. Fui prestar queixa na delegacia. Havia mais duas pessoas esperando para registrar ocorrências do mesmo tipo. Ali eu vi, de perto, o tratamento que nós, cidadãos, recebemos. Parece que somos os ladrões...

E depois de tudo isso? Depois do grande susto? Resiliência é o segredo. Sou definitivamente resiliente! Resiliência? Um princípio da física: a capacidade de um material voltar ao seu estado normal depois de ter sofrido uma pressão”. A palavra é também aplicada na caracterização de pessoas como eu.

Primeiro lamentei. Depois veio raiva. Trabalhamos para comprar nossas coisas, pagamos impostos, e vem um miserável desse e tira tudo assim... E pronto... passou... agradeci a Deus por não ter sido machucada e nem levada para um lugar qualquer. Sou assim. Defino por quanto tempo vou querer alimentar um sentimento. Então, canalizo minha emoção para outras ações. No outro dia saí de casa só, tomei sorvete e fiz um passeio no parque. Estava mais atenta, lógico...

Na segunda-feira resolvi questões de ordem prática. Pesquisei o aparelho que a operadora de telefonia vai me oferecer. Tirei novos documentos – a Bahia é o único Estado que não libera o pagamento de segunda via com a apresentação do boletim de ocorrência. E é isso... Na minha mesa de computador descansa o bem que ficou para contar a história daquele sábado. Os meus óculos escuros. Estavam na minha mão. Os assaltantes não viram. Foram salvos! Minha pele também! E a vida continua.

Ingrid Dragone

24 Janeiro, 2008

Outro

23 Janeiro, 2008

2º Motivo do beijo


Beijo teu retrato

Um tão curto tato

Só para tê-lo

Sem nó

Sem apelo

Assim encontrá-lo

Num fingir

Num estalo



Ingrid Dragone


22 Janeiro, 2008

Ninguém merece...


Raramente assisto televisão. Orgulho-me disso. Significa que não queimo o meu tempo ou que sou uma privilegiada por ter atividades mais interessantes e/ou importantes. Às vezes rola um telejornal, um seriado, e uns filmes. Nesses meus raros momentos televisivos, o que me deixa realmente indignada é a maquiavélica estratégia da Globo ao querer me fazer engolir, nos intervalos, a porcaria do BBB.


Tenho personalidade, senso crítico, vergonha na cara, conhecimento sobre as pressões mercadológicas da mídia, e cultura suficiente para afirmar: “Não vou ceder!!!”. Esse formato de entretenimento não desce. Indigesto. Inútil. Idiotice enlatada.


Alguém irá me dizer que o programa é um fenômeno e que eu não posso negar. Alguém irá me aconselhar a despir a minha opinião dos vultos preconceituosos, e vai me incentivar a enxergar a representação das relações sociais ali. E repito: “Não vou ceder!!!”.


Não há quebra de paradigmas e curiosidade (e olha que tenho muita!) que mova a minha atenção para tal reality show. Quem são aqueles aspirantes a estrela? De onde saíram aquelas celebridades instantâneas, construídas? Por que o público lhes garante tamanha popularidade e tantos confetes?


Beijam-se e fazem sexo. Exibem as ancas rebolativas. Criam intrigas e imagens. E o que eu tenho a ver com isso? Vou ocupar boa parte das minhas noites e pensamentos com indivíduos que, um dia, quem sabe, poderão ser aproveitados pela emissora? Mesmo sem talento? Sou uma telespectadora muito mais exigente! E amo, amo mesmo, com todas as minhas forças, uma das maiores invenções da era do ócio: o controle remoto.




Ingrid Dragone

21 Janeiro, 2008

Inefável


Nadas vêm à voz...

Cair-me em tuas pupilas?

Deixar que signifique

O Poema-infinito

Que idiomas não podem?


Quimeras e páginas

Do esquerdo-peito

Não se bastam por metáforas,

Nenhuma delas

Seja tão, tão...

Ah! Deveria desistir!


Declare-me

Se igualmente

Não consegues explicar-me!

Pois um dia longe

O poeta falou-me

Do pulsar-sem-palavras

Compreendendo-o ... amor!



Ingrid Dragone


17 Janeiro, 2008

Fita em Laços



Pés fartos dos sapatos

Por cadarços apertados

Quando calçam sapatilhas

E transformam fita em laços

Dançam leves no espaço...


Nessa rima ensaio saltos

Difíceis, pequenos, altos

Tantos que sempre faço

Com sucesso ou fracasso

Tantos passos, passo a passo


Uso ponta, ensaio braços

Vem a dor e o cansaço

Eu enceno e disfarço

Há postura para o clássico!

E o corpo no compasso


Venço o esforço num estalo

Dói sorrir e doem os calos

Mas sorrio e esqueço

Se me entrego e me aqueço

Pra ser luz e flor nos palcos




Ingrid Dragone

13 Janeiro, 2008

Mais um...

11 Janeiro, 2008

Nossa Primeira Valsa



Borboletear de olhares

Fusão de mãos aprendizes

Com o corpo poemas me fala

E entendo na alma o que dizes


O toque, a lua, as claves

Nuances de bálsamos e brisa

Piso balanços suaves

Suave em balanços tu pisas


E a roda e o passo por teima

Se faz deveras maior

Girassol tão confuso nas beiras

Que se perde o seu traço ao redor


Combinado andar sobre flores

Um cair-em-teus-braços perfeito

Que envalsa uma trama sem dores

É debute de amores no peito



Ingrid Dragone


09 Janeiro, 2008

Tormentos Íntimos


“Conselheira Sentimental”. Placa em letras grandes e vermelhas que Miriam havia afixado na porta de uma espelunca. A rua era meio escondida. Esburacada. Cheia de sujeira. Fétida. E as madames de salto agulha arriscavam-se na descida e sempre chegavam.


Seu método de ajuda mesclava tarô, búzios, bola de cristal e uma conversa baseada em signos e leituras orientais - para vocabulário e fundamentos fáceis e críveis. Convencia bem, talvez porque fosse mulher de grande intuição. E para tamanha fama, preço alto.


A aparência impressionava. Roupas com muitos tecidos. Unhas incrivelmente bem feitas. O olhar transmitia confiança e verdade. A experiência de vida que carregava a fazia assim: exata. Os clientes estavam satisfeitos, confirmavam as feições de uma poderosa feiticeira, e a mais e mais amigos indicam os seus serviços, a solução na vida de tantos... Era procurada em momentos de desespero, incabíveis na razão.


A consulta era envolvente. A atmosfera de mistério evocava sabedoria. Os adornos pareciam relíquias. Incenso para perfumar o ambiente. A expressão de sua face sugestionava. Ela tocava nas questões mais íntimas das pessoas com a frieza mecânica de um cirurgião. Antes de uma exploradora de almas doentes, Miriam era uma atriz nata.


Os conselhos destinavam-se a problemas emocionais de qualquer natureza. Relação entre pais e filhos, dificuldades conjugais, até as maneiras para a conquista de um novo amor. De certo, Miriam lapidou-se. Tantas histórias fizeram-na vestir o ser humano repleto de sensibilidade para lidar com os conflitos alheios. Alheios...


Certo dia, indo para casa, depois de uma sessão que a deixara “carregada”, ficou pensando em sua vida. Tormentos íntimos. Pensamentos bastante prolongados em sua pessoa. Abriu a porta. Catou as correspondências. Enfiou na bolsa, que mal guardava o dinheiro de uma cliente importante. Olhou-se no espelho da sala. Sem ninguém para conversar, sentou-se à mesa e resolveu desabafar no papel.


Deus,

Desculpe-me por esse meu ofício indigno! Talvez por me mostrar tão poderosa, eu seja infeliz, só e vazia. Como posso ser uma conselheira sentimental se péssima sempre sou nos meus assuntos pessoais? Logo eu... compro a minha aparência a todo custo, e tão cruel fui com as pessoas ao meu redor...

Conselheira sentimental? Eu? Que piada imoral! Minha mãe, aquela senhora inofensiva, que tudo fez por mim, deportei para um asilo nojento. Minha irmã estava grávida e desempregada e não a quis em minha casa. Com meu pai não falo há anos. A filha que tive... num orfanato. Abortei. Sei eu lá quantas vezes. Com meus homens não suportei viver. E o último? Deus, por esse pecado imperdoável me perdoe! O miserável fede embaixo das terras do meu quintal...


Uma exaustão intensa caminhou por todo o seu corpo. Sentiu um peso sobre a cabeça. E quando a testa ensaiava o movimento de encontro ao tampo da mesa, e o lápis iniciou o repouso sobre o caderno, o telefone chamou. Ela correu para atender. Havia distribuído panfletos naquela semana e não queria perder dinheiro.


- Bom dia. Gostaria de falar com Miriam, a conselheira sentimental.

- Bom dia! Sou eu. Em que devo curá-la, querida?


As extremas humanidade e serenidade quase puderam tocar a pele da nova e esperançosa cliente.




Ingrid Dragone

07 Janeiro, 2008

A Pior Solidão


Lembro-me daquele velhinho sentado no banco da praça. Roupas puídas. Um saco plástico preto na mão esquerda. Deus sabe o que havia dentro. Ele acreditava estar acompanhado de alguém com quem discutia muito. Sua feição expressava uma irritação profunda. Mexia o dedo indicador com energia, como quem dá uma bronca séria. A loucura dele tem lá sua lógica. Bobo é quem desconfia disso. Ele brigava mesmo com uma pessoa, imaginária ou não, e certamente não se sentia sozinho. Ele, definitivamente, não era sozinho. Tinha alguém com quem se importava, alguém para quem podia dizer o que sentia. A pior solidão não é como a dele, que nem de longe sabe o que é solidão. A pior solidão é cria da desatenção. É a solidão provocada por nós.


A pior solidão é a do olhar focado em um mundo particular, orbitado no EU, certo de que se basta por si só. A pior solidão é a que nos faz lamentar a roupa nova e já cansada do cabide. A roupa que ainda não tivemos oportunidade de usar porque é roupa de sábado, sábado com amigos. A pior solidão é a de quem vê um monte de guloseimas partindo da geladeira para a lixeira. Deveriam ter sido divididas, mas o prazo de validade chegou ao fim. A pior solidão é a de quem consulta a agenda do celular e constata que o distanciamento inibe qualquer tentativa de convite.


A pior solidão é a que nos tranca em pensamentos de solidão. Quando o travesseiro e a televisão são o refúgio das horas ociosas. Quando não há, segundo a sinceridade da nossa lucidez e a nossa convicção mais convicta, bons ouvidos para nossas histórias e bons braços para o nosso corpo cansado.


Lembro-me bem do velhinho. Acompanhadíssimo. Bastante vivo em seu bradar. E muita gente sozinha tem certeza de que não é louca...



Ingrid Dragone

06 Janeiro, 2008

Contemplando...


Dos que pintei... o preferido.

Paz divina...


04 Janeiro, 2008

O Contador de Filmes

Juvenal era um menino de muito gosto por criar brinquedos de madeira, inventar coisas. Seu passatempo predileto. Talvez a falta de dinheiro o fizesse assim, tão dedicado a tais labores. De qualquer sorte, nesse ofício permanecia durante horas, esquecendo-se da vida ao redor.

Certo dia, num dia azul de se admirar, foi inaugurado o cinema naquela cidadezinha do interior. Um sonho para o molequinho de meias remendadas. A novidade era brilho para seus olhinhos. E não é que o pequeno agora só pensava em ir à matinê?

Na verdade, o cinema tornou-se o encantamento da vida, o passeio adorado por todos os habitantes do lugar, onde se vivia um cotidiano pacato. Era de bom tamanho que as pessoas se vestissem alinhadamente para assistir aos filmes; com os melhores sapatos, penteados impecáveis, e vestimentas preferencialmente novas, de dignos corte e fazenda.

Por injustiças do destino, Juvenal não podia assistir às sessões do cinema. Não tinha o dinheiro. O tempo passou. O tempo foi contento.

Em uma das andanças pelas redondezas da humilde casa onde morava, conheceu um sujeito chamado Geraldo Zibumba. De cara, o dito indagou-lhe sobre o que achava da nova diversão da cidade. Juvenal, com vergonhas sentidas e alumiadas no rosto, disse não conhecer o cinema, e com sinceridade própria de uma criança alegou a falta de recursos.

O outro se comoveu. Perguntou ao pequeno se estava disposto a ouvi-lo contar os filmes. O menino sentiu-se profundamente feliz com proposta tão generosa e no mesmo momento tirou com as mãozinhas, meio talhadas, a poeira de um banquinho e sentou-se entusiasmado para saber das histórias.

Geraldo era um narrador de talento nato. Incrível. Juvenal via o próprio filme, nitidamente, em minúcias, repleto de cheiros, tons, ruídos, ventos e luz diante dos seus olhos graúdos e curiosos.

Assim, uma vez por semana sucedia-se a reunião. Era sempre assim. Zibumba dava vigor a cada palavra que dizia, como se ele mesmo fosse o criador dos filmes, e Juvenal enchia-se de admiração e maravilhamento.

Numa dessas agradáveis tardes, Geraldo sugeriu a Juvenal que produzisse algo para ganhar o dinheiro de que precisava para ir ao tão sonhado cinema. O menino animou-se com a idéia. Naquela noite matutou, matutou... O que poderia vender? Matutou, matutou... Mas era claro! Claro como a clara do ovo da galinha! Não leitor! Ele não decidiu vender ovos! Seu quintal dava limão aos montes! Decidiu fazer limonadas!

No dia seguinte levantou com os primeiros raios do sol, que muito castigava a janela sem cortinas. Direitinho, como esquilinho, foi vasculhar a casa em busca do material necessário para iniciar a gestão do seu grande negócio. E em pouco, já estava tudo muito pronto, muito certo.

Fez banca na praça. Passou horas vendendo o refresco. E até que boa freguesia teve, afinal, o calor era de derreter. Metia com euforia todo vintenzinho que recebia em um saquinho de tecido ordinário. Uns até lhe deixavam o troco.

Ao fim da labuta, com as costas pirraçando em dor e a pele demasiadamente corada, retirou a suada fortuninha do saquinho e contou ansioso tostão por tostão. Que felicidade! Tinha o necessário para ir a uma sessão e ainda comprar uns queimados caseiros da venda de seu Raimundo.

Domingo era. Juvenal estava radiante. Vestiu sua melhor roupa, um trapinho bem alvinho e emendado com esmero. Pegou as meias do irmão às escondidas e calçou seus únicos sapatos, de sola bem gasta.

Chegando à porta do cinema, deu uma ajeitada última nas madeixas, colocou-se todo em postura e comprou o ingresso. Entrara na sala com uma alegria que não cabia no peito, e os queimados de seu Raimundo que, de tantos, quase também não cabiam nos bolsos. Sentou-se. Respirou fundo e teve orgulhoso de si mesmo.

Terminada a matinê, saiu com humor rasteiro, mãos nos bolsos vazios e dentes grudentos. Encontrou com Geraldo Zibumba e contou que havia acabado de assistir ao filme de bang bang.O amigo não entendeu seu desânimo e indagou com a cabeça.

Juvenal o encarou de baixo, com o toco do tamanho, e mostrou-se sinceramente decepcionado, emoldurando olhinhos expressivos:

- Olha Zibumba... Gostei muito não...

- Mas pequeno... Esse não era o teu sonho? Nunca nessa vida de Deus posso compreender teu comportamento!

- Tenho que te dizer viu! Tu me contava os filmes com tanto detalhe e colorido que pensei que esse tal de cinema fosse coisa melhor!

- Arre menino! Eu te contava o que meus olhos já testemunharam!

- Nada disso viu, Zibumba! Tu conta grande! Tu conta como eu queria ver! Bom mentiroso você é!


Ingrid Dragone

02 Janeiro, 2008

Imagem


Ah! Nada como a simplicidade dos gestos não calculados e da fala originada do pensamento sincero. Por isso gosto tanto de crianças. Se dão a língua ou um abraço, estão expressando com toda a verdade os seus sentimentos, o que vale, o que pesa, o que realmente importa.

O amadurecimento tem de ser sinônimo de teatralização de atitudes? Estamos sempre em busca da palavra “funcional” - a que melhor constrói uma imagem - e não daquela que mais natural seria para nós.

Criamos a necessidade da camuflagem, o complicado exercício de mostrar o que não somos, de sentir o que não sentimos. Dispomos de uma coleção de máscaras. Uma para cada dia, ambiente e situação. O homem, o ser de emoções e fragilidades, não se admite. E sofre. E se acostuma com essa loucura.

Hoje é inaceitável a frase e a ação arrependida. Não há espaço para a falha. Admirável é aquele que domina a técnica de fazer você pensar o que ele quer que você pense (sobre os contextos, ou sobre ele, ou sobre você), sem deixar indícios de maquiagem e texto decorado. E, infelizmente, você aprende que não poderá fugir disso...

Com o passar do tempo, a paranóica habilidade do disfarce vai sendo aperfeiçoada. Instala-se a dicotomia entre o homem que se apresenta ao mundo e o homem que se reconhece. Nada fácil. Porque não dá para fazer joguinhos hermenêuticos com a emoção essencial, carregada no próprio peito. E a todo esse esforço pela aparência fortalecida dá-se o nome de sobrevivência.


Ingrid Dragone

01 Janeiro, 2008

Chegou 2008


A propósito... o dia nasceu especialmente bom hoje. Sol amarelinho, amarelinho. Cidade meio parada. Qual a diferença mesmo? Ah! Ano novo. Vamos nos acostumar. Agora há um 8 no final.

Final... Encontramos muita felicidade ontem. Perspectivas e momentos regados a champagne e sonhos. Adormecemos, e foi tudo uma festa. Muito cheia de luz, mas só uma festa. Fica a fotografia, a areia da praia impregnada na blusa branca, a poesia do sorriso.

Começo... Retomada? Renovação? Realidade! A mesma! A mudança é na mente arejada, que em tudo pensa, que em nada se fecha, cotidianamente...

Chegou 2008. Mais um dia. O fio da vida não se interrompeu.


Ingrid Dragone

28 Dezembro, 2007

Novo ano, velhos pedidos...

Então, reveillon... E a gente veste branco. Come lentilha. Pula sete ondinhas. Faz contagem regressiva. Agradece por tudo de bom, e pede mais saúde, paz, um novo ou grande amor, e dinheiro, claro!

É tempo de esvaziar gavetas e compartimentos da casa, do escritório, da cabeça. Jogar fora aqueles recibos, notas fiscais, comprovantes. Rasgar bilhetes, antigos pensamentos... Doar roupas, sapatos, devolver coisinhas emprestadas... Comprar agenda, e começar a enchê-la (inaugurando a caneta que ganhamos de presente no Natal) com os próximos compromissos. E estes já correm as páginas até mais ou menos o meio do ano.

Engraçado, como diz a letra de uma música “... nada mudou, mas eu sei que alguma coisa aconteceu, tá tudo assim, tão diferente”. Toda vez que o mundo faz aniversário, pensamos novo, e o ciclo do tempo continua, inabalável... Sem importar-se com calendários, relógios e seus ponteiros metódicos.

Não há uma barreira entre o ano que foi, e o ano que é. Não há um muro de concreto entre dezembro e janeiro. Criamos a determinação do tempo, e nos prendemos a ela. Acabamos por conceber a vida assim, como um conjunto de períodos estanques. Então, a cada virada de ano pensamos em mudanças, pequenas e grandes revoluções e atitudes. Planos, sonhos, projetos, desejos começam a fervilhar. Mudança de um dígito, mudança de vida?

Mais um ano, e a gente quer sentir que tudo pode acontecer de outra forma. Deve ser porque o homem tem complexo de fênix, necessidade de renascer, de transformar-se para melhor. Talvez queira ter a sensação de que é dono do seu próprio destino, arquitetando dias seguintes e modificações. Ou simplesmente necessite de ritos de passagem para achar que está evoluindo, crescendo, ultrapassando fases...

Mas se pensarmos... Novo ano, velhos pedidos! As mesmas vontades de felicidade, antigos desejos em outras roupagens. Desde que me percebo, as pessoas desejam sempre as coisas de sempre... Novas palavras sobre velhos temas. Queremos coisas boas, apenas as desejamos de maneiras diferentes. A verdade é que, o romper de um tempo e o surgir de outro, desperta asas, espadas e corações em cada um.

Os próximos doze meses se engatilham. E apesar de todo ensaio, toda pauta, ainda com toda a força humana que temos para tornar nossos ideais uma realidade, é inevitável: com olhos-súplica, nos voltamos para o céu (mesmo os mais valentes!) e entregamos tudo, uma encomenda preciosa, às mãos divinas pensando “seja o que Deus quiser!”.


Ingrid Dragone


26 Dezembro, 2007

Vestígios



Pi pi pi pi. Faço um movimento preguiçoso até a mesa de cabeceira. A mão quase não chega. Mensagem no celular.“Bom dia!”

Quero continuar dormindo. Viro para um lado. Para o outro. Já despertei. Levanto de vez (pisando em papéis de presente laminados). Afinal, hoje tem trabalho acumulado.

Café da manhã é sinônimo de panetone.

E para o blog? Esse texto assim... sem graça, ressaqueado do Natal.




Ingrid Dragone

25 Dezembro, 2007

Mensagem de Natal (mensagem para a vida)


É clichê. É inevitável. É eterno. Então, vou desejar a todos:
FELIZ NATAL!!!



Vamos aproveitar essa época, em que estamos mais sensíveis e introspectivos, para firmar em nosso íntimo o divino compromisso com o amor. Lembrar que a vida pode ser linda, inesquecível e maravilhosa se dedicarmos bons sentimentos ao que nos propusermos a realizar.

Será também muito interessante fazer menos queixas em 2008. Quando nos percebemos ranzinzas, devemos lembrar da nossa manta de bênçãos. Do nosso universo burguês. Lembrar de quem não é lembrado. De quem não tem água e pão. De quem padece sem chance de cura. De quem testemunha os horrores de uma guerra.

Vamos brindar a dádiva das possibilidades!!! Preparar as nossas emoções para extrair da vida os melhores sorrisos. Os melhores resultados. As melhores tentativas. As melhores valsas. Os melhores carinhos. É triste viver do arrependimento pelo (a)braço negado e pela palavra não pronunciada. A felicidade habita em quem não teme o dom de servir e a sinceridade do coração.



Ingrid Dragone


23 Dezembro, 2007

Acordar de Novo


Abri os olhos. O esperado teto branco não foi o que encontrei. Vultos com asas borboleteantes voavam diante da minha face. E, combinados, cessaram o movimento. Inacreditáveis anjos! Acordaram-me e não deixaram que eu tocasse os pés no chão antes de saber umas palavras bordadas de estrelas.

Abriram as minhas mãos. Coloram-nas em posição de guardar. Depositaram pergaminhos. Todos escrevinhados com o mesmo aviso. Avisaram-me sobre a importância do meu coração. Falaram-me dos cuidados, para que eu não permita que alguém o faça minguar.

Os anjos abriram a janela do meu quarto e mostraram-me a vida acontecendo lá fora. A luminosidade esplendorosa do sol sobre todas as coisas vivas e de concreto. A vida repleta de experiências felizes, justas aos meus sonhos.

E quando o sorriso tornou-se capaz de emoldurar flores em meu rumo, os anjos sinalizaram a partida. Recomendaram-me a leitura dos pergaminhos todos os dias. Saíram em vôo enfileirado, seguindo a direção do vento e deixando um rastro suspenso de brilhos miudinhos e efêmeros.

Ao tocar os pés no chão, eu já era nova pessoa. Nova para o mundo, nova para os outros, e para mim. Tantos pensamentos gravitaram ao meu redor... E todos me levaram a entender o valor de fazer diferente. Senti, então, o meu coração alargando-se para o bem. A leveza. O pulso novo. Sensação indescritível de estrada intocada. Recomeço...


Ingrid Dragone


22 Dezembro, 2007

Meu Melhor Presente de Natal


O meu coração, neste Natal, não almeja uma casa enfeitada com guirlanda, ou árvore, ou luzes, ou velas. Nem almeja uma ceia farta. O que ele quer é estar aconchegado no quentinho dos braços daqueles que ama.

O meu coração quer sorrir pela presença de pessoas especiais. A mágica estará na beleza de um olhar sincero, que derrama em poucos minutos a imensidão de emoções que a boca demoraria horas para dizer, e as mãos demorariam meses para escrever.

O meu coração, neste Natal, não sabe quem irá bater à sua porta. Mas sabe o quanto de amor tem a oferecer para aqueles que o tocarem.

Meu coração desconhece a ordem de nada esperar. Vai viver a tentativa de serenar as suas expectativas, tão ainda parecidas com as da época em que se acreditava em Papai Noel.

Meu coração, neste Natal, quer sentir-se ligado a outros corações. Trocar energias iluminadas. Transformar em canção todas as notas que muitas vezes ensaia sozinho.

Meu melhor presente de Natal é o meu coração batendo feliz. Cheio de amor para quem ele ama e para quem a ele der amor. Cheio de carinhos caprichados, como que amarrados em belas fitas de cetim.

Meu melhor presente de Natal é aninhar em meu coração um monte de sonhos bons. Esses sim, estarão enfeitados, lindos, lindos de se sonhar. Enfeitados com um brilho mais intenso. Com uma força grandiosa. Com o cuidado de não fazer sofrer. Com a magia de entender o gesto e a palavra que afaga um coração ferido. Com a magia de saber compartilhar a alegria com outro coração alegre.


Ingrid Dragone


21 Dezembro, 2007

Revista Bahia Chef


Nesta quinta-feira, dia 20, foi lançada em Salvador a revista Bahia Chef, especializada em gastronomia. O evento de lançamento realizou-se no restaurante Amado e contou com a presença de jornalistas, profissionais da área gastronômica e empresários.

Faço parte da equipe de reportagem e posso dizer, embora seja suspeita, que o trabalho está muito bonito: conceito e projeto gráfico.

Confiram a entrevista que eu fiz para essa primeira edição.


“Cozinhar é como fazer música”


Luiz Caldas é natural de Feira de Santana, Bahia. Teve os primeiros contatos com instrumentos musicais na infância. Cresceu assim, acompanhado da música, tornando-se conhecedor de muitos ritmos e hábil tocador, principalmente de violão. Baseado em toda essa experiência, criou um estilo musical e coreografias. Fez sucesso em todo País com o que pode ser considerado o início da Axé Music. Durante alguns anos, esteve afastado da mídia, embora nunca tenha ficado longe dos palcos. Há três anos, juntamente com a retomada da carreira musical, adotou uma nova filosofia de vida. É praticante de yoga e naturalista. Em uma conversa descontraída com a equipe de reportagem da Revista Chef, o artista fala sobre essas mudanças e alimentação saudável.


Por Ingrid Dragone


Revista Chefe - Desde quando você é naturalista?

Luiz Caldas - Há três anos. Depois do swásthya yoga passei a ter mais calma, mais paciência, equilíbrio. Foi uma mudança geral. Hoje, eu durmo e levanto sabendo que nenhum animal precisou morrer para que eu me alimentasse. E eu me alimento bem.


RC - Por que você resolveu ser naturalista?

LC - Parei de comer carne, primeiro, pelos ásanas (posições do yoga). Cada uma requer força e equilíbrio e sentia, pelo menos psicologicamente, que a minha alimentação não fazia bem para isso. O segundo motivo veio da conscientização sobre a morte dos animais. O homem não nasceu para ser carnívoro. Isso é uma cultura colocada. Se você não consegue caçar, não tem dentes e nem garras, para conseguir determinado alimento é porque ele não é a sua comida. Se você der uma fruta e uma carne para uma criança, ela escolhe comer a fruta. Vi documentários sobre os maus tratos a animais, o que também pesou bastante na minha decisão.


RC - Parar de comer carne foi difícil?

LC - No começo, tentando purificar meu organismo, comia legumes e carne branca. Depois pensei: carne branca é carne. Parei sem neura. A carne, em si, não tem gosto. Os temperos dão o gosto. O cheiro da carne já não me atrai em nada. Vejo que posso comer outras coisas. Sempre fui muito de mudanças radicais. Quando resolvo parar, paro total. Foi a mesma coisa com o cigarro. Digo que Deus me deu essa força.


RC - Quais mudanças você notou em seu corpo, em sua vida, tornando-se naturalista?

LC - As primeiras mudanças ocorreram na concentração e no estado de leveza corporal. Quando você come menos, vive mais e melhor. Antes, nos shows, sentia como se estivesse carregando outra pessoa. Agora, cantar e tocar é tranqüilo. Além de mudar a alimentação, com os exercícios de respiração já corro 15 quilômetros sem me esforçar e passar mal.


RC - Existe uma alimentação especial para os dias de show?

LC - Tomo um pouco de água gelada antes e cerveja sem álcool depois. Como frutas, saladas, um sanduíche preparado em casa, um suco, um queijo branco. Tem gente que quer mudar os hábitos alimentares e procura coisas difíceis para se adaptar. Eu não. Só não como carne. Ainda consumo ovo e leite, mas vou parar.


RC - Você tem um programa de alimentação?

LC – Tomo água quando acordo. Logo depois, um suco. O sono me alimenta legal e não tenho horário para comer. Como quando tenho fome. A fome está ligada ao cérebro. A comida é remédio. Ela te cura ou te mata. Você não precisa ficar cheio. Esse é um falso prazer que a mente nos dá.


RC – Você diz que a comida é remédio...

LCChamamos de veneno o que nos mata rapidamente. E de alimento o que nos mata a longo prazo. Com uma alimentação saudável, bem balanceada, você já está cumprindo o papel dos médicos. Só precisa ter um clínico geral para dizer se está tudo normal. Hambúrguer, por exemplo, é resto de gado, com o que as indústrias criam uma carne. O processo é feio e no final você vê a comida naquela embalagem bonita.


RC - Você prepara seus próprios alimentos?

LC - Adoro cozinhar. Minha preocupação também é com o visual do prato. Você começa a comer pelos olhos. Sou vidrado em comida colorida. E gosto de experimentar, da mistura. A maior parte das experiências dá certo, e todas são comestíveis. Na época das vacas magras eu criava farofas interessantes. Cozinhar é como fazer música. Tem o cara que sabe dois acordes e faz músicas belíssimas. E tem aquele que faz conhecendo profundamente.


RC - A música é um grande prazer na sua vida. A comida também é?

LC - Não trato alimento como algo especial. O alimento é como a música. É uma questão de harmonia. Tenho prazer em comer, mas não é um prazer orgástico. Como chocolate, salgadinho, tudo. Minha restrição é com carne, drogas e álcool.


RC - Você tem preferência por alguma culinária?

LC - A cozinha indiana é interessante porque não tem muita carne. Conheci muitos pratos nos livros. Pelos ingredientes você vê se é receita é boa. Você também pode colocar ou tirar um ingrediente e mudar o sabor. Eu diminuo o sal ao máximo. Quando comecei a praticar yoga comecei a ler sobre alimentos. Muitos dizem que não é bom misturar, por exemplo, alho com cebola, e nem tomar líquidos enquanto se come.


RC – Recentemente você foi convidado por uma pizzaria conhecida de Salvador para criar uma pizza que levaria o seu nome no cardápio. Como foi a experiência?

LCAntes eu pensei e fiz uma em casa. Depois o pizzaiolo fez lá na pizzaria e eu acompanhei o processo, experimentando e aprovando. A pizza tem uma massa fina e leva palmito, champion, e pouquíssimo requeijão, o mais esfarinhado possível.


RC – Para acompanhar uma pizza ou qualquer outro prato, qual a melhor música?

LCA tranqüila, de elevador. Música baixa, pano de fundo, para que você possa conversar. Todo tipo de música é boa. Depende do momento. Claro que há a preferência, o que não quer dizer que uma é melhor que a outra. Existe o olhar do bom gosto e o olhar acadêmico. Há músicas simples com melodias lindas. Há músicas que são como uma mansão em cima de palafitas.




Nos bastidores.

20 Dezembro, 2007

Convite


Olhares trocados. Todo o mundo ao redor torna-se uma grande mancha. Silêncio. Depois a música. Ele estende a mão e sorri. Apenas. Ela pousa a mão, aceitando, e sorri. Apenas.

A música embala o movimento dos corpos, que aos poucos se transformam em um único. Fusão de desejos. Calor. Frio na espinha.

A sensação alonga-se muito. Por dentro de muitas e muitas canções.

Nada se diz. Não é preciso dizer. Rostos casados. A boca escapa lentamente chegando à boca oposta. Ela foge. Ele pede. Sem palavras.

Olhares. Silêncio. Tudo calado em um beijo. Tudo dito em um beijo.

Nasce um par. Um encantamento. Uma poesia, que em voz pouco expressa. Que em sentimento percorre os bosques e labirintos dos corações.


Ingrid Dragone

19 Dezembro, 2007

Separação


Nada mais havia para ser dito. As malas estavam sobre a soleira da porta. Moacir terminava de abotoar a camisa bem passada. Laura olhava para ele com olhos de um sentimento misturado. Uma combinação de alívio e tristeza. Continuado silêncio... Sem mais, ele fez uma afirmativa com a cabeça de forma que ela compreendesse um “pronto, estou indo”.

Laura acompanhou a saída de Moacir do final do corredor do apartamento. A porta da rua fechou-se. Fez um barulho mais intenso em sua mente, encerrando ali uma história de 21 anos.

Moacir pegou o elevador. Olhou-se no espelho. Ajeitou a barba. Na sua expressão era possível ler a decisão acertada. O desleixo, as queixas freqüentes, sim, poderia perdoar. Mas traição era dose mortal para o seu orgulho.

Laura correu até a janela para vê-lo tomar o táxi, que não demorou. Moacir não ficaria na casa da mãe ou num flat. Seu destino era o aeroporto. Voltaria de Nova York dali a cerca de dois meses. Distração e muitas compras fariam parte do roteiro.

O táxi sumiu rápido, virando a esquina. Laura suspirou e sentou-se à mesa da sala com a mão no queixo. Sentia desgosto e inveja. Miserável! Nem havia perguntado se ela queria um perfume importado ou uma maquiagem, pensou, sem a noção exata do desligamento que acontecera. Olhou para o relógio. Levantou-se arrastando as sandálias e foi até o telefone:

- Ele já foi.

- Onde nos encontramos?

- Aqui. Na minha casa.

- Laura, querida, ele acabou de sair...

- Nem me importo! Ele é egoísta, não merece mesmo qualquer tipo de consideração.

- Então, tudo bem. Estarei aí em 15 minutos.

Laura dirigiu-se ao quarto. Olhou com raiva para a foto do casal num porta-retrato de alumínio. E com raiva ainda maior para as lavandas baratas sobre a cômoda.



Ingrid Dragone

18 Dezembro, 2007

Auschwitz


Auschwitz. Estava escrito na capa do filme. Ela sabia bem do que se tratava, afinal, havia trabalhado, e muito, com o assunto durante a faculdade. Mas diante da pergunta de um homem tão inacreditavelmente próximo e inconcebível, às vezes ela não sabia o que dizer, como agir, nem reconhecer o mundo, até então, totalmente legendado.

Pelo mesmo motivo, também naquela noite, havia derramado a comida na mesa do restaurante; deixado o salto enganchar numa das imperfeições do piso; ficado com as mãos geladas e a mente zonza. Ele era íntimo. Muito. Ele era mistério. Também.

Aquele homem que olhava em seus olhos e decifrava a lucidez e as insanidades da sua alma. Aquele homem que sabia a hora e a forma de tocá-la, passando por cima de uma pretendida vontade de estar serena, quieta. Aquele homem que quase sempre dispunha da palavra ideal. Era o homem que provocava nela um sentimento forte e engangorrado de fascínio e pavor.

Uma incógnita. Uma antítese. Ele parecia representar tudo o que ela gostaria de somar em um homem. E, ainda, era alguém de quem deveria escapar: um pouco por causa dele, que sabia cercar, e que pela forma apaixonada tornava-se irresistível e perigoso. E muito, e principalmente, pela incerteza de uma história a dois.

Se pensava em casa, sozinha, a decisão estava tomada. Desligar-se. Se estava ao lado dele, esquecia o significado de decisão. O vigor, o calor e a inteligência daquele homem arrebatavam seus sentimentos e sentidos. O comportamento, outrora alinhado ao controle dos impulsos, inexistia.

Auschwitz. Ela deveria ter escolhido assistir ao filme. Tema de tamanho interesse, e nada excitante para as coisas do amor, talvez tivesse impedido que mais uma vez caísse nos braços exatos daquele homem. Um momento de paixão. Uma vida de doces tormentos.



Ingrid Dragone

17 Dezembro, 2007

As Latas


Inerte. De mãos apertadas. Estava sendo acusada de ter jogado todas as latas no lixo.

- Não havia mais nada! Só agora se deu conta? – perguntou Nailin.

E continuou a receber a reclamação. Afinal, na casa, só moravam duas.

- Como assim? Encomendei uma dúzia delas! Não faz um mês! – esbravejou Falandra.

Nailin já perdia a paciência. Sentada com os braços cruzados, respirou fundo, deu com os olhos para cima, enquanto ainda ouvia.

- Além das latas, o que mais você jogou fora, hein?

- Nada, Falandra, nada...

- Onde está o calendário?

- Você deu ao mago.

- E o meu caldeirão de estimação?

- Estourou no seu último feitiço.

- Está variando? Quebrei o meu caldeirão?

- Foi sim. E também se desfez da capa roxa, da varinha vinda da Terra de Naz, e deu os cinco primeiros volumes da coleção de bruxaria para iniciantes.

- Como pode mentir dessa maneira?

Nailin levantou-se enérgica. Saiu batendo a porta. E Falandra enchia as paredes com suas queixas.

No jardim, pensativa, Nailin encontrou um dos seus vizinhos.

- O que houve?

- É a Falandra... Está procurando um monte de coisas, e não acha, e reclama. Coitada! – disse balançando a cabeça, lamentando imensamente. Depois dos seus estudos na Terra de Naz... Ficaram seqüelas. Agora está aí, desesperada, procurando pelos seus pertences, principalmente pelas latas.

- Por quais latas?

- Aquelas que você me aconselhou a comprar para ela, as de memória em conserva.


Ingrid Dragone

14 Dezembro, 2007

Coração Atento


Tantos “nãos”... E, às vezes, o coração está na infância. E quer chorar. E sofre. Os “nãos” descem ásperos. Dilaceram o que construímos: uma imagem, uma vontade. É a porta se fechando. Os braços que não se movem para afagar a nossa angústia. É como esperar por um carro que nunca surge. Olhamos para a rua, que se alonga muito, até sumir, e nada acontece. Ninguém toca em nosso ombro. Nem para um “vai dar tudo certo”.

Temos sede de mundo, de conquistas. As pessoas não podem ou não querem compreender. Assim, devemos estar sempre acompanhados de nós mesmos. E só. E deve ser assim. Esse é o ensinamento diário.

O ser humano aprende que deve dividir, ajudar, amar ao próximo como a si mesmo. Mas a coletividade é um caminho inevitável para a troca, para que o íntimo de cada um tenha uma resposta, a sua satisfação. Por isso é frustrante viver a espera. Pensar que alguém vai lembrar de nós, quando mais necessitamos da lembrança.

Tantos “nãos”... O coração deve estar atento! Mais triste do que ver a porta se fechar, e experimentar os braços egoístas, é não enxergar o carro que desponta naquela rua deserta. Aquele, justamente aquele, guiado por alguém que gostaria de viver um sonho como o nosso.

Ingrid Dragone

13 Dezembro, 2007

Amor de Guerra


Hoje, viver um amor pode ser como viver um amor de guerra. O seu par existe, mas está na batalha, na rude batalha do dia-a-dia. Você não vê a pessoa amada, o bravo soldado, que de forma destemida luta pela vitória sobre o inexorável inimigo: o tempo.

Seu sentimento vai ficando doído demais. A saudade implacável é tudo que ronda o seu pensamento em quase todos os minutos. Insólita saudade. Ninguém, em todo o mundo, sofre a dor que você sofre.

Horas passam. Dias passam. Semanas passam. O amor torna-se incorpóreo. A distância só não se instala completamente porque há algum contato pela internet ou telefone. Algo semelhante às cartas trocadas entre os combatentes e as donzelas esperançosas em época de grandes guerras.

Horas passam. Dias passam. Semanas passam. A saudade vai sendo transformada. Abranda-se. A paixão assenta. Algo em você desacelera. O par, na batalha, sente imenso amor, mas vive sem possibilidades reais de toque, presença.

Então, a bússola interna avisa que você pode seguir outras rotas. O pensamento em você te faz querer conhecer o que está além das margens sinalizadas pelo relacionamento que se esvai. Você pensa na injustiça da sua solidão. E chega à conclusão de que viver apaixonado por uma saudade é muito cruel.

Você é instigado por uma certeza. A da transitoriedade das coisas. Já não quer a ilusão, porque viver a pele e a palavra de carinho é uma necessidade vital, fisiológica, até.

Um dia, a batalha cessa. O guerreiro se prepara para voltar, carente de paz. Carrega no peito a honra de ter sobrevivido, embora esteja ferido, triste, cansado. Vai precisar de alguém que não tenha muito a dizer, mas carinho de sobra para confortar. E quando retorna, percebe que você já não tem os mesmos planos.

Nova história será escrita. Movida por uma realidade cada vez mais comum... Se conflitos bélicos têm o poder de destruir sonhos, os conflitos cotidianos conseguem ser ainda mais eficazes nisso: selam uma distância inaceitável, separando pessoas que moram na mesma cidade, em bairros próximos.



Ingrid Dragone


12 Dezembro, 2007

Cadê os filtros???


Fornecer informação com responsabilidade e bom senso, objetivando formar homens pensantes e conscientes. Esse deveria ser o principal papel dos meios de comunicação. Deveria. Mas o mundo globalizado, que cria as mais diversas e rápidas formas de troca e transmissão de conteúdos, e tem democratizado o conhecimento, é o mesmo que impulsiona a propagação das “fábricas de acontecimentos”.

O termo “fábrica” serve para denunciar a ausência dos filtros de informação na mídia. Em busca de audiência e patrocínio, muitos levam ao público as notícias sem apuração, transformam o zé-ninguém em celebridade, cultuam o sensacionalismo, e banalizam imagens de miséria e crueldade.

Sabendo dos critérios duvidosos de escolha dos assuntos para divulgação, mentes doentias e/ou vazias, que sonham com os 15 minutos de fama, encontram a sua oportunidade na mídia. Baseiam-se nisso os planos dos assassinos vaidosos, das candidatas à modelo, dos aspirantes à política, dos que pretendem lançar produtos pornográficos, e por aí vai...

Aqui, nem se critica a intenção ou validade da veiculação de certos conteúdos, pois o público, hoje, também determina o que deve ser explorado nos meios de comunicação. A crítica está focada na abertura que dá a essas “celebridades criadas em laboratório” a certeza de que a mídia vai torná-las conhecidas e, muitas vezes, da forma como arquitetam.

Há uma espetacularização de fatos merecedores de pouca ou nenhuma atenção. É só ligar a televisão e conferir. São inúmeros os programas de fofoca, os que investem pesado na exploração do corpo, e os que banalizam as relações humanas e as cenas de violência.

A lógica é a mesma: se existem mais carros nas cidades, haverá mais acidentes e engarrafamentos. Se existem mais recursos de comunicação, haverá o desenvolvimento de ótimos e, também, de muitos e péssimos conteúdos. E não se pode negar. Incomensurável é o poder da mídia. Ninguém vive sem notícias. Entretenimento também é importante. O problema está no direcionamento dos holofotes. Então, vamos nós (cidadãos, ou consumidores, ou leitores, ou espectadores) criar os nossos filtros de informação, para que a mídia não nos desinforme e deseduque.


Ingrid Dragone

07 Dezembro, 2007

Saudade


Quando há uma pausa, mínima que seja, na correria do dia-a-dia, pensamos na saudade que sentimos da nossa família e amigos. Pensamos até na saudade de nós mesmos.

Às vezes vem uma saudade que nem tem tempo para ser sentida direito. Aquela saudade que preenche alguns segundos do cotidiano. Que bate, de verdade, se nos percebemos sozinhos numa manhã de domingo. Sintomático. É a Saudade já indicando que estamos isolados das pessoas, das rodas, das trocas.

Se deixamos a saudade tomar conta, vem saudade de um monte de coisas. Do papo jogado fora com aquele amigo que só nos faz rir. Da sobremesa sem igual que a tia faz. Do beijo de alguém. Do período do colégio. Da época de brincar. Saudade que a gente tem da época de sentir saudade.

Sentir saudade era tão bom... Antigamente, ninguém achava que era perda de tempo. Havia reuniões para sentir saudade. Nas varandas, com vinhos, fotografias, e gente próxima. Eram momentos para reviver. E todos nós somos mesmo feitos disso: história.

É bom sentir saudade. Sentimos saudade se gostamos verdadeiramente de uma pessoa. Se temos “causos” para registrar. Se a vida está sendo vivida.

E é saber a dose. Tudo tem o seu lugar. Saudade demais pode ser depressão. De menos, sobrecarga de tarefas. Saudade na medida, sim. É aquela que nos move a chamar alguém interessante, especial, para conversar sobre acontecimentos de tempo qualquer.

Ingrid Dragone


06 Dezembro, 2007

As Mesmas Notícias


Apesar do bombardeio de notícias que chegam todos os dias às redações, os jornais têm fechado as suas pautas com os mesmos assuntos frequentemente. Impressos de regiões com culturas distintas costumam trazer matérias bem parecidas. O fenômeno pode ser explicado por dois fatores: o trabalho das assessorias de imprensa, juntamente com as estruturas enxutas das empresas jornalísticas; e a concorrência desenfreada, orientada por questões econômicas.

As redações contratam um número mínimo de profissionais e exigem alta produtividade. Sem o tempo necessário para apurar os acontecimentos, muitos jornalistas utilizam os